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31 de dezembro de 2006

Entrevista: Wry

Entrevista feita com Mário Bross, guitarrista e vocalista do Wry, grupo de Sorocaba radicado em Londres desde 2002. Esta entrevista foi realizada por email dia 10 de maio de 2005 e publicada anteriormente no Mazzacane.

O Wry disponibilizou algumas músicas novas para o download gratuito. Quais as vantagens e desvantagens em se fazer isso?


Possibilita-se que mais pessoas conhecam nossa música e tenham acesso às canções que por um motivo ou outro, não são versões presentes nos álbuns, mas sim versões alternativas ou pré-produzidas. Ou até curiosidades ao vivo ou remixes.
Pretendemos colocar as músicas do novo álbum em versões "singles" (seguindo os singles que lançaremos na Inglaterra) por preços justos, bem baratos aliás, em breve.
Agora, a única desvantagem seria de uma pessoa ouvir e não querer comprar nada mais relacionado a banda porque não gostou daquilo que ouvir.
Música autorizada na internet traz muito mais vantagens, sem dúvidas.


Como as grandes gravadoras estão reagindo na Europa ao vazamento na internet das músicas de seus artistas? Exemplos recentes são os novos álbuns do Oasis e Weezer, que mesmo antes de serem lançados oficialmente em cd, estavam disponíveis gratuitamente na internet.

Não tem muito o que fazer, em muitos casos o vazamento veio de dentro da própria equipe que circula a banda e tal. Ou até um planejamento pra rolar algum tipo de notícia antes do álbum sair. The Subways, uma banda que está pra estourar logo logo, é próxima do Wry e o disco deles também foi roubado, tudo estava no laptop do Josh (baterista). Foi vazado pra internet, mas não causou tanto grilo; antes que comentem, aqui eles fazem diferença e vendem bastante.
Então, acho que no geral, não tem muito o que se fazer, o dinheiro gasto na captura do computador criminoso acaba sendo mais caro do que vender umas cópias a menos.


Você acredita que bandas como Franz Ferdinand e The Killers seriam tão famosas como são hoje em dia se suas músicas não tivessem sido trocadas em grande quantidade entre os usuários da internet?

Talves as pessoas não saberiam cantar todas as músicas a tempo para a próxima turnê. No caso dessas bandas que você mencionou, a imagem e o grande hit iriam viajar muito longe independente da internet, eles seriam famosos de qualquer maneira, no meu ponto de vista. Mas se você pegar uma banda menos conhecida, no caso, Bloc Party ou Kaiser Chiefs, daí eu concordo, pois os álbuns deles ainda nem saíram por aí e sei que muita gente na net, onde muitos são ligados à música alternativa, já os conhecem e citam suas músicas em cabines de djs de São Paulo à Belo Horizonte. Internet é evolução, é futuro.
Agora, não tem como negar as facilidades que isso traz a todos, saca?


Hoje em dia é crucial para os artistas pouco conhecidos disponibilizar algumas de suas músicas gratuitamente na rede?

É claro, você tem que fazer parte, senão fica pra trás. Eu dou mais cinco anos e toda essa evolução tecnológica na música vai triplicar. Como na Bíblia já se diz "você não vai poder comprar nem vender se não possuir um email na rede"...ou era algo parecido com isso. Então é essencial e é mais fácil do que antes, ultra mais fácil.

As leis de direitos autorais tradicionais funcionam com as músicas do Wry? Vocês já ganharam dinheiro pela reprodução, execução ou uso de suas músicas, como visam essas leis?

Algumas de nossas músicas tocaram diariamente, três vezes ao dia até, na 89FM quando era regional, creio que para umas 50 cidades e nunca nunquinha vimos algum centavo entrar nas nossas contas bancárias por isso. Mas acho que é porque somos do meio alternativo e não temos grandes empresários envolvidos no nosso trabalho por aí.
Segundo amigos meus de outras bandas, o negócio até que funciona, devagar, mas funciona. É lógico que eu gostaria que funcionasse assim também para o Wry, mas por enquanto ainda não, vamos ver esse ano como as coisas vão rolar, tudo está indicando um imenso "azul". Gracas a Deus!

Wry - jesus beggar



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