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6 de dezembro de 2016

Achei que devia fazer um texto sobre os 10 anos do blog mas não pensei num título bom



6 de dezembro de 2006. As capas dos jornais informam sobre o caos nos aeroportos brasileiros (uma prévia do "relaxa e goza"). Nasa encontra provas de água em Marte. Saddam Hussein ainda está vivo e acaba de ser sentenciado à morte. Um Golpe de Estado em curso em Fiji. Lula reeleito com mais de 60% dos votos. Playstation 3 e o Wii são lançamentos recentes.  Randy Rhoads faria 50 anos se estivesse vivo. Sarah Sheeva ainda vê AQUILO MARAVILHOSO.

Às 11:19 daquela quarta-feira, provavelmente durante uma aula chata de diagramação, fiz a primeira publicação por aqui. Talvez fosse a época em que eu estudava jornalismo pela manhã, trabalhava de tarde, estudava design de noite e chegava em casa à meia-noite, na região metropolitana de BH. A memória falha, mas não é necessariamente um problema, já que o que esquecemos também é parte do que define o que somos. 1.329 posts depois, percebo que parte do que sou hoje passa por aqui. E que durou todo esse tempo porque sempre escrevi para mim em primeiro lugar, independente de visitantes. Porque em meio a todas as falhas, textos ruins e a prepotência irônica da adolescência também havia a curiosidade, o prazer do descobrimento e ____________ (complete com outras coisas que vemos em textos motivacionais).

Eu não conhecia nenhum músico, nenhum produtor, nenhum jornalista. No meu blog anterior, tampava os rostos de todos os músicos nas fotos porque acreditava que a única coisa que importava era a música em si, não a aparência, os egos. Achava a coisa mais brega e egocêntrica os nomes próprios dos artistas em suas carreiras solo (quer dizer, ainda acho). Acreditava que a arte só poderia ser sincera e livre se gratuita, desvinculada de relações mercadológicas. Só que a realidade pro filho de uma ex-caixa de supermercado e um ex-entregador de pães é bem distinta de uma utopia artística. O processo é lento. E se em um primeiro momento imaginar certo conformismo gera decepção, em outro a mesma lentidão te faz acreditar que é possível mudar as coisas por dentro. Estar dentro do sistema para tentar mudá-lo. "Você vai escolher o que tiver mais perto de você, o que tiver dentro da sua realidade", dizem os Racionais.

Revisito os arquivos com parcimônia (não sei de onde me veio a vontade de usar essa palavra, mas veio), faz parte de um processo de autocrítica. Por mais que às vezes eu não reconheça o autor daquelas publicações, os textos que geraram 80 mil acessos em um dia e os que ficaram nos 100 leitores importam da mesma forma porque têm um valor pessoal (há anos, aliás, sequer acompanho as métricas de acesso do blog). E, imagino, algum valor pra outras pessoas.

É só mais uma entre várias abstrações, mas considerei a data um momento pertinente pra recapitulações. O rio nunca é o mesmo, não é? Recentemente anotei a fala de um neurologista (no contexto original, sobre sinapses e esquizofrenia): "o segredo do aprendizado é a eliminação sistemática do excesso. É principalmente morrendo que nós crescemos". Tem a ver com a euforia da infância e da adolescência, os processos do corpo. E funciona também aqui.

Em 2006, escrevia da perspectiva de alguém com muitos "nuncas" na vida (como nunca ter saído de Minas Gerais) e a ingenuidade de acreditar que poderia fazer o que quisesse na vida. Cortei alguns nuncas e continuo tentando, mas se der errado a preparação já foi feita. E no geral, a gente sabe, o que vale é o processo.

E sobre música, cena independente, indie e afins? Esqueci das aspas. Muitas.

Aff...

Bem, melhorou. Tanto pra quem produz como pra quem gosta de ouvir (pra evitar a palavra "consome"). E também derrubou ainda mais a barreira entre esses dois pontos da cadeia (quem produz e quem ouve). Os algoritmos do Spotify e afins, por exemplo, são uma alternativa bem mais interessante do que textos de Facebook sobre as bandas dos amigos dos seus amigos ou blogueiros querendo pagar de descolados com suas escolhas diferentonas. É relativamente fácil descobrir as casas de show que abrangem determinado gênero musical em cada cidade e entrar em contato com produtores do mundo todo. Não que isso já não fosse possível em 2006, mas agora mais gente já se tocou de que, opa, isso dá pra fazer (piada geograficamente localizada, entendedores entenderão).

Parte do que é ruim permanece da mesma forma. Produtores que pensam apenas no dinheiro, jornalismo à base de amizade, músicos que tentam tirar os méritos do outro que começar a se destacar mais. Recalque, inveja, insegurança? Em cada cidade a história se repete, é comum encontrar aqueles que se acham injustiçados e reclamam dos demais, das panelas da cena (as "panelas", quase sempre mal-acompanhadas em um contexto fora do culinário).  E assim se fecham nos próprios nichos, às vezes reproduzindo uma das práticas mais questionáveis do rap, que é identificar oponentes de maior visibilidade e tentar chamar atenção para si ao atacá-los (sobre o assunto, vale a audição dessa e dessa outra música - gosto de ambas, apesar de discordar de pontos dos discursos). Não que sejam críticas vazias (apesar de serem só chorume na maior parte das vezes). Mas o que mais vejo são pessoas que sequer contribuem efetivamente pra que aconteça uma real melhora, apenas pensam em seus próprios egos trabalhos, não vão aos shows de outros artistas, não divulgam trabalhos alheios (em um sentido mais amplo, alguém fora da sua patota), não buscam uma troca maior. E trocas, intercâmbios, a gente sabe, são geralmente bons.

Voltando ao assunto original.

Este ano também marcou um desejo antigo, o Festival Meio Desligado. Ingressos esgotados e uma satisfação enorme por ter a Guizado, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Sara Não Tem Nome e Luneta Mágica na primeira edição. Os planos são uma segunda edição em breve, independente de patrocínios ou apoios. Por aqui, continuar com um texto semanal (pensei em definir uma atualização sempre na segunda-feira mas gosto da liberdade de publicar quando quiser) e algumas séries temáticas já em andamento. Além de continuar e ampliar as atividades da Quente, claro. Aproveito pra pedir desculpas a todos que enviam emails e não têm resposta, eu realmente leio muito pouco os emails do blog e por isso peço pra enviar via Twitter.

Pensei em citar Belchior agora, mas achei cafona (apesar de real). Quem sabe com o tempo a gente acerte mais, né?


1 de dezembro de 2016

100 bandas de BH pra ver ao vivo, hoje

Sem restrição de gêneros, apenas uma lista com bandas de BH atualmente ativas. De novidades do rap como a DV Tribo e o novo single metalcore do Carahter a "hits locais" antigos do Graveola, por exemplo. Indie, MPB, funk, metal, samba, jazz, ska, hardcore... um pouco de tudo do que rola atualmente na cidade.

Comecei essa lista como uma pesquisa pra futuros eventos da Quente (e pro festival Meio Desligado 2017) e achei válido tornar pública pra que mais pessoas tenham contato com parte da produção contemporânea de BH. Fiquei surpreso com a quantidade de artistas que possuem vários trabalhos lançados e ainda estão fora das plataformas de streaming (por isso a ausência de alguns nomes relevantes na lista).

Sugestões pra continuar atualizando a lista são super bem vindas, só mandar nos comentários. Ah, e fica a dica pra seguir o perfil do Meio Desligado no Spotify.

21 de novembro de 2016

6 vídeos: Tagore, O Terno, Carne Doce, Wannabe Jalva e Oceania

Foi-se o tempo de usar a expressão "parece clipe gringo" como sinônimo de qualidade. Com diferentes orçamentos e estéticas, a produção brasileira atual reflete a evolução do mercado independente e é cheia de bons exemplos de clipes que são ótimas introduções aos trabalhos das bandas (além de funcionarem isoladamente também).

Autor de um dos grandes álbuns de 2016, o pernambucano Tagore também lançou dois ótimos singles: "Mudo" (alguém aí disse "hit indie"?) e "Pienal", ambos seguindo a linha da psicodelia moderna transformada em fenômeno mundial pelo Tame Impala. A banda gaúcha Wannabe Jalva veio repaginada e swingada em "Mareá", cantando em português e com participação do Curumin. A Carne Doce, de Goiânia, cresceu em seu segundo disco e reflete isso no single "Artemísia", densa e poética (musical e visualmente). Os paulistas d'O Terno são uma fábrica de bons vídeos, praticamente o equivalente brasileiro do Ok Go (só que musicalmente muito melhor, né?). Aqui, registro apenas o clipe de "Ai, ai, como eu me iludo", simplesmente um dos melhores do ano, não apenas no Brasil. E pra fechar, vídeo novo do Oceania, banda recém-formada pelo Gustavo Drummond, lenda do rock alternativo mineiro e que esteve à frente do Diesel e do Udora. Gravado em um esquema de baixíssimo orçamento, dentro de uma sala e com "fundo infinito" de tnt feito pelos próprios integrantes, é exemplo de que não é necessário ter muita estrutura para se alcançar bons resultados de acordo com a estética de cada banda.
 

10 de novembro de 2016

O Terno e Young Lights ao vivo em BH

Alguns vídeos da edição da mostra Música Quente que fizemos em BH no dia 21 de outubro com o lançamento do disco Melhor do que parece, d'O Terno, na cidade. Essa foi a última edição do Música Quente em 2016, projeto através do qual a Quente fez uma série de shows de lançamentos de discos em BH. Você pode assistir a vídeos de todos os shows em uma playlist específica no canal da Quente no Youtube.