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25 de novembro de 2014

Midem 2014: como foi uma das maiores feiras do mercado musical mundial

Eu não pretendia escrever sobre minha experiência na Midem por um motivo muito besta: de certa forma, tive vergonha de contar por aqui que estive na Europa no início do ano. Foi uma viagem tanto de trabalho como à lazer, mas até então achei que era algo mais para guardar para mim e não para ser compartilhado. No entanto, conversando com algumas pessoas sobre feiras internacionais e mercado musical, achei válido deixar por aqui um relato sobre a minha primeira vez na Midem. Escrevo isso apenas para justificar o fato de, só agora em novembro, escrever sobre algo que aconteceu no início deste ano.

Entre o fim de janeiro e o início de fevereiro estive em Cannes, no sul da França, para participar da Midem, considerada uma das maiores (talvez a maior) feira do mercado musical mundial. Em 2014, a Midem aconteceu entre os dias 1º e 4 de fevereiro no Palais des Festivals, mesmo espaço que recebe o famoso festival de cinema da cidade, e teve o Brasil como país homenageado em uma parceria com a Funarte.

Para conhecer mais sobre o mercado musical a feira é uma alternativa realmente interessante, mas não são tantas as oportunidades diretas de venda de show para os artistas. Dos dois andares utilizados pela feira, por exemplo, um deles foi praticamente todo dedicado a startups de tecnologia cujos produtos/serviços dialogam com a música.

Outro ponto é que quase todos os profissionais que estão por lá estão vendendo algum serviço (a maioria deles ligados à distribuição digital), são pouquíssimas as pessoas interessadas em contratar shows. A maioria dos estandes é de países apresentando seus artistas e isso acaba sendo muito mais interessante para os produtores de festivais que estão lá, por exemplo, mas não tanto para os artistas que querem tocar nesses países. Nesse ponto, percebe-se que Minas Gerais é um Estado que se diferencia e está à frente até mesmo de muitos países: em Minas existe o edital Música Minas, que custeia as passagens de artistas que receberem convites para se apresentar em eventos relevantes no Brasil e no exterior. A maioria dos países participantes da Midem sequer possui editais desse tipo e outros, como a Alemanha, possuem iniciativas quase idênticas. Aqui, no entanto, temos a opção de tentar viabilizar as passagens tanto através do Ministério da Cultura (e seu edital de intercâmbio) ou do Música Minas. Ponto para o governo brasileiro.

As melhores oportunidades para artistas estavam ligadas a empresas que trabalham com sincronização (venda de música pra comerciais, trilhas e afins) e alguns produtores interessados em intercâmbio cultural. O fato do Brasil estar na moda no exterior (e, em fevereiro, ainda havia toda a euforia por causa da Copa do Mundo no Brasil) aumentaram o interesse pela nossa música. Mesmo assim, é nítido que a produção contemporânea nacional ainda é pouquíssimo conhecida no exterior. Criolo, por exemplo, mesmo sendo muito badalado no Brasil e já tendo feito uma quantidade considerável de shows na Europa (além de ter tido relativo espaço na mídia especializada internacional) não passava de mais um desconhecido entre as atrações musicais da Midem. Por outro lado, foi interessante conhecer alguns jovens parisienses, mestrandos em marketing, que não apenas conheciam, mas estavam pesquisando iniciativas brasileiras como o Queremos e a Mídia Ninja.

As conversas oficiais com os produtores e profissionais do mercado aconteciam nos chamados speed meetings, rápidos encontros de cinco minutos, nos quais ter um material organizado e bem trabalhado é essencial para vender o seu produto. No entanto, é consenso que os melhores contatos são feitos fora das reuniões oficiais, durante os shows ou nas festas não-oficiais. Um dos melhores momentos da feira, por exemplo, foi uma festa promovida pelo site Pleimo no luxuoso hotel Carlton, à beira da praia, na famosa avenida La Croisette. Lá, entre a grande diversidade de bebidas gratuitas e a música ao vivo (tudo dentro da suíte do hotel), era possível bater um papo (entre outras coisas) com produtores de bandas famosas como Radiohead e My Bloody Valentine, dividir drinks com diretores de festivais como o Rock in Rio, ensinar um pouco de português pra diretoras de comerciais ou até se apaixonar por advogadas do Google (uma das melhores partes).

O Pleimo, site brasileiro que é uma mistura de MySpace com plataforma de prestação de serviços para bandas, investiu bastante na feira (Henrique Portugal, tecladista do Skank, é um dos sócios). Eles também produzem material promocional como canecas, capa de celular e afins, além de promoverem venda de ingressos e outros produtos. Estranhamente, desde do término da feira até hoje, tive pouquíssimas notícias do desenvolvimento do Pleimo.

E por falar em tecnologia e startups, esse foi um dos ramos mais interessantes da Midem. Muitos aplicativos e serviços online usam a feira como ponte para obter financiamento. Alguns dos que saíram de Cannes com novos investidores foram o estranho Nagual Dance (que permite "tocar" instrumentos virtuais e disparar samples através de gestos corporais - veja vídeo abaixo), Weezic (app que ajuda estudantes de música a estudar) e Starlize (aplicativo para criação de vídeoclipes no celular), destaque também para o Cubic FM (para criação de playlists através de diferentes serviços de streaming).
 

Os shows promovidos durante a Midem geralmente não contam com artistas famosos internacionalmente e são oferecimentos dos países participantes. Eles usam a plataforma como meio de divulgação de sua produção cultural, caso dos showscases brasileiros (com Criolo, ZeMaria, Raquel Coutinho e Alceu Valença) e Taiwan, por exemplo. Mas como a pequena cidade é tomada por profissionais da indústria musical durante o evento, eventos paralelos também podem contar com boas atrações, como foi o caso da ótima banda japonesa Lite, que se apresentou fora da programação oficial.

As palestras são outro ponto forte da Midem. Foram dezenas, abordando os mais diversos temas dentro da cadeia produtiva da música. A grande maioria delas, felizmente, está disponível na íntegra no canal do evento no Youtube. Uma das mais interessantes e divertidas em que estive foi a do francês Olivier François, diretor de markerting e membro do conselho do grupo Chrysler, que explicou a estratégia das empresas do grupo em se relacionar com a música. Uma história engraçada contada por Olivier: em 2012,  a Chrysler abriu mão de utilizar, de graça, a música "Blurred Lines", do Robin Thicke, por não achar que ela tinha potencial. Posteriormente, a música virou um dos maiores e mais rentáveis hits de 2013. Depois dessa experiência, quando o produtor do Pharrel Williams foi até a empresa tentar fechar uma parceria para a música "Happy", a Chrysler não quis cometer o mesmo erro e investiu na música. O resultado? Um hit mundial em 2014, com cerca de 500 milhões de views no Youtube e prêmios para o Pharrel.

No geral, a dica que fica é que se você for um artista interessado em ir à Midem, repense. A inscrição é cara (para 2015, quando a Midem acontece entre 5 e 8 de junho, a inscrição custa incríveis €525, mais de R$ 1.600) e ainda existem todos os custos da viagem até Cannes, além da hospedagem. Agora, se você tiver dinheiro disponível, vale pela experiência e por eventuais desdobramentos para a carreira, mas não crie muitas expectativas.

21 de novembro de 2014

Novos Baianos Futebol Clube, o documentário

Gravado para uma TV alemã em 1973, ano do lançamento do terceiro e homônimo disco dos Novos Baianos, Novos Baianos FC é um documentário excepcional em sua simplicidade e no valor histórico do registro. São pouquíssimos os depoimentos ao longo dos seus 44 minutos de duração, gravados ao longo de 10 dias no sítio Cantinho do Vovô, onde a banda vivia no auge de seu hippismo em plena ditadura militar, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Em tempos de registros ao vivo assépticos e mega produções, a crueza do registro ao vivo da banda neste documentário salta aos olhos e aos ouvidos em um rock'n'roll brasileiro, psicodélico e desleixado. É uma produção mais próxima de um registro antropológico do que uma obra musical.

"Não é uma família. Talvez um time de futebol", diz o narrador. E assim, entre jogos de futebol e o cotidiano do sítio, clássicos como "Mistério do Planeta", "A Menina Dança" e "Samba da Minha Terra" surgem despretensiosamente, entre menções ao futebol como metáfora para a liberdade criativa e a coletividade do grupo.

18 de novembro de 2014

Sobre música independente, festivais, Transborda e sentir-se falando como um tio ("naquela época...")

Primeiramente, uma foto estilosa. Porque texto longo sem foto estilosa assusta a garotada.

Foto estilosa pq texto sem foto estilosa assusta a garotada

Pronto. Agora começamos.


Em 2000, naquele que provavelmente foi o primeiro show alternativo ao qual fui, havia exatamente uma pessoa parada no meio do local assistindo à banda com atenção. O local em questão era um campo de futebol em Sabará e quem estava no palco era a Moan, banda belorizontina de indie rock depressivo (ou emotional hardcore, como diziam anos atrás). Quase dez anos depois, na mesma Sabará, à poucos quarteirões daquele campo de futebol, cerca de 10 mil pessoas compareceram aos shows, também alternativos, do festival Escambo (catorze anos depois daquele primeiro show eu encontraria o mesmo espectador solitário, agora já um velho amigo, em Nantes, onde veríamos juntos um show histórico do Black Rebel Motorcycle Club - banda conhecida durante o período descrito nos próximos parágrafos).

Os indies não se reproduziram como gremlins nesse período, mas a ampliação do público envolvido com a cena musical alternativa na última década me veio à mente durante o festival Transborda, cuja terceira edição aconteceu entre o fim de outubro e o início de novembro de 2014. Assim como o Escambo, o Transborda está diretamente ligado à experiência de quem viveu o início da popularização da internet e da troca de arquivos. Aqueles anos de internet discada, Napster e Soulseek, que resultaram em uma aproximação até então inédita com um enorme volume de novos artistas, culminando, alguns anos depois, na criação da TramaVirtual - a meca do indie brasileiro (ao menos por algum período).

Pela primeira vez se podia ouvir com facilidade (e de graça) gravações de bandas independentes nacionais. O passo seguinte era vê-las ao vivo. Afinal, eram artistas brasileiros, alguns deles residentes em cidades próximas. Então, durante algum show do Garage Fuzz, Mukeka di Rato ou algo do tipo, você poderia pensar "caralho, como é bom ouvir ao vivo o que escuto em casa". E assim por diante, semana após semana.

Desde então, a cena cresceu e foi perdendo a inocência. Foi se profissionalizando e, dependendo do ponto de vista, encaretando, ficando formatada demais. Em meio a isso tudo, um debate do Transborda com os produtores culturais Fabrício Nobre e Anderson Foca chamou atenção para um ponto: por mais que existam problemas, o mercado musical independente está dando certo. Nobre fez a provocação. Em uma sala com cerca de 20 pessoas, pediu que todos aqueles que tivessem a cultura como principal ou exclusiva fonte de renda levantassem a mão. Quase toda a plateia estava de braços erguidos. Segundo ele, 10 anos atrás essa situação seria impossível. Concordo.

E onde entra o Transborda nessa história? Ele é exemplo da transformação e do desenvolvimento da cena como um todo. Suas edições refletem os momentos do mercado, suas dificuldades e mudanças. Se na década passada a grande maioria dos festivais de música independente buscava headliners que atraíssem um maior número de pessoas para os shows (e para isso precisavam de patrocínios cada vez maiores), atualmente a formação de público é mais orgânica e em menor escala. As duas primeiras edições do Transborda levaram milhares de pessoas às ruas e ocuparam diversos espaços de BH. Mesmo assim, houve um hiato de três anos em sua realização e foram necessários alguns passos atrás para que o festival retornasse mais conciso e próximo do seu público alvo. O resultado? Casa lotada, artistas e público satisfeitos e sustentabilidade (podem esperar mais shows produzidos pela mesma galera em 2015).



Patrocínios e mecanismos públicos de incentivo à cultura continuem extremamente importantes, mas, além disso, transformações como a do Transborda 2014 apontam um caminho promissor. Principalmente quando se tem uma programação com algumas das bandas de rock mais interessantes da nova cena brasileira (Apanhador Só e Boogarins), um representante digno do "indie clássico" como há muito tempo não se ouvia (Câmera) e novidades promissoras (Hotel Catete, Red Boots, Mahmundi - os últimos, nem tão novidade assim, mas nem por isso menos promissores).

15 de novembro de 2014

Alessandra Leão na Music Alliance Pact de novembro

O Meio Desligado é o representante exclusivo do Brasil no Music Alliance Pact, projeto global que envolve cerca de 30 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem.

Faça o download da coletânea deste mês ou escute cada uma das faixas clicando nos nomes das músicas abaixo.

ARGENTINA: Zonaindie
Tomás Ferrero - Cuando Te Hablo
In March 2013, a mixed group of musicians gathered together in Cordoba and Buenos Aires to play some songs and sound pieces composed with lyrics taken from the work of a federal collective of artists called Esta Vida No Otra. Some of them recorded the results several months later, and those tracks were then released as a compilation titled 15 Artistas Cantan Esta Vida No Otra. The song we have selected from this album, also available for free at Bandcamp, is Cuando Te Hablo by Tomás Ferrero from the band Rayos Láser.

AUSTRALIA: Who The Bloody Hell Are They?
Open Swimmer - Sugar Bowl
Open Swimmer's version of pop is jarring, even discordant at first, but it's this blatantly simple approach that has us hooked. (Dirty Projectors fans, pay attention now.) Sugar Bowl is a brilliant introduction to the band; playful yodelling is cut and pasted along a steady 4/4 drum beat, while witty banter takes the fore. Songwriter Ben TD was based in Glasgow for seven years, touring extensively and landing multiple sessions on BBC Radio One and a stint at T in the Park before settling in Melbourne. The band comprises some of Melbourne's most admired independent music alumni (The Harpoons, Seagull). Expect to hear a lot more from this group.


BRASIL: Meio Desligado
Alessandra Leão - Mofo
Alessandra Leão shows off her experimental side with "Mofo", taken from her new EP, Pedra De Sal. Avoiding the world music sound from other works, this song has dark music and some weird programming that fits the angst of the lyrics.

CANADA: Ride The Tempo
Beach Season - Midnights
There's not actually much out there on Beach Season besides the fact the project is from Calgary. The smooth vocals of Midnights complements the hip-hop influenced rhythms. This is a duo that won't be much of a mystery for long.

CHILE: Super 45
The Dagger Complex - Velvet Moon
The Dagger Complex were formed in 2013 by Hernán Díaz (vocals/guitar), Michaela Boman (vocals), Abraham Vicencio (guitar), Gonzalo Chandía (bass) and Ignacio Álvarez (drums). Their debut EP, Vibrant, released by Beast Discos, is a collection of songs inspired by early 90s shoegaze and dream-pop, one foot set in the cadence of bands such as Slowdive or Mojave 3, the other one in the fuzzy mass of noise of The Jesus And Mary Chain and My Bloody Valentine.

DENMARK: All Scandinavian
IAmFire - Burn Your Halo
IAmFire have their debut EP ready and apparently it sounds like a "massive drug experience" to frontman Peter Dolving. Come December, he and the rest of the gang will be releasing this groovy stoner metal dragon and here's Burn Your Halo as a MAP exclusive download.

DOMINICAN REPUBLIC: La Casetera
Gnómico & Victor Victor - Mesita De Noche
Hip-hop producer Gnómico has always been interested in preserving Dominican musical culture for the present and future generations. Now he's embarking on a new project called Sinergia that will add an urban twist to many songs from past decades. The first one is Mesita De Noche, a famous 90s bachata by Victor Victor, now remade with a funky fresh attitude, Gnómico's own rap verses and Mr Victor himself singing its signature chorus.

ECUADOR: Plan Arteria
Da Culkin Clan - Sometimes You Make Love
From the city of Cuenca, Da Culkin Clan represents the most weird and experimental contemporary hip hop of the country. Their lyrics and music are a bunch of random, powerful and creative ideas - a mixture of carnival and fiction figures. From debut album Special Dark, we present its first single, Sometimes You Make Love.

GREECE: Mouxlaloulouda
Babis Papadopoulos - Spring
Babis Papadopoulos blends the organic nature of Greek traditional folk music, rhythms rich with contemporary elements and avant-garde jazz and succeeds in creating a sequence of lush, varied and nostalgic tracks. Spring, the splendid first preview from his forthcoming album, Joy In Pain, Pain In Joy, is dominated by a delicate, recurring melody in bouzouki, mournful violins, a broody viola and the warm restlessness of his guitar.

INDONESIA: Deathrockstar
Barokka - Barapantura
Dangdut Koplo is one of the most famous electro genres in the shady underground clubs of Indonesia. This trashy dance anthem was created by the guy behind Dubyouth as an introduction.

IRELAND: Hendicott Writing
SPIES - Moosehead
Hyped up by authorities as hefty as The Guardian and NME, Dublin's SPIES are widely seen as the city's next big thing. Moosehead is the latest of their slow to emerge singles, released on the band's own Trout Records label. Leaning on the same glorious desolation that fronted Factory Records' world-renowned soundscapes, it's a jittery, dingy piece of indie-rock that brings atmospheric depression up to date. Think social awkwardness meets Interpol, and put a hefty bookmark on this space.

ITALY: Polaroid
Klam - Mess With The Best, Die In A Nuclear Test
On the cover of Bleak, the debut album by Klam, there is a foggy road, a city in the shadow, a storm seems to be approaching. It's a perfect introduction to the sound of the band: dark shoegaze with post-punk sharp edges. They can create hazy clouds of feedback, but they can also write vibrant and trembling songs like this one.

JAPAN: Make Believe Melodies
Toyohirakumin - Cliff
If the term 'vaporwave' gives you chills, either turn back now or try to think beyond whatever concepts of the internet microgenre you have. Toyohirakumin makes music that is often filed as - and in some cases sounds like - vaporwave, but Cliff is far more than an exercise in aesthetics. It is a slow burner, and a minimal one at that, but a compelling throbber from a promising Japanese producer.

MALTA: Stagedive Malta
Fastidju - Kukkuzejt
Fastidju was born when Nigel Baldacchino (essentially a non-musician) started conceiving vague sung melodies and aural structures for existing pieces of writing compiled for the exhibition, Sajda, in 2012. Nigel started seeking collaborations with electronic producers he admired, such as Istishhad Hheva and Cygna, to provide flesh to his musical skeletons. An album was devised and a band took on the task of developing some of the structures - and even creating new songs. Cygna ultimately ended up being the main crucial guiding light in the final studio phase.

MEXICO: Red Bull Panamérika
Pumcayó - Don Jacinto
Hailing from Guadalajara, Pumcayó is a band that weaves their region's folkloric heritage, with patterns found on Grizzly Bear or Fleet Foxes' music. Following a Kino-Pravda aesthetic - as in Dziga Vertov's Soviet documentary from the 20s - the video for the song Don Jacinto follows the semi-industrial art of making colourful papercrafts, a simple decor in Mexican celebrations with a beautifully complex craft.

PERU: SoTB
Mind Black - Cocaine
Mirella Bellido is the songwriter and lead singer of Mind Black. These Days is her debut five-track EP that moves through different emotions such as anxiety, perversion, obsession and regret. Mind Black, as defined by its creator, is a balance between the emotional and rational.

PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?
A Jigsaw - No True Magic
Coimbra band A Jigsaw are back with a new album, No True Magic. Jorri and João Rui, the two members of the folksy alternative band, invited Carla Torgerson (The Walkabouts) to join them on vocals for one of the tracks, Black Jewelled Moon. They also produced the record, which will find new fans in those who appreciate artists such as Tindersticks, Leonard Cohen or Tom Waits.

PUERTO RICO: Puerto Rico Indie
Los Vigilantes - Ahí Ya No Estoy
After an exhaustive and intense European tour, garage-rockers Los Vigilantes returned to Puerto Rico with a new record under their belt. Aptly titled Al Fin (At Last), it perfectly showcases the band's brand of melodic surf punk: both infectious and melancholy, it makes your bones rattle, a bit from pain and a bit from joy. Los Vigilantes recently shared a video for the record's second single, Ahí Ya No Estoy, in which a scorned lover wills himself into feeling hopeful for the future with a little help from his friends, cheering us all up in the process. Dance those blues away with Los Vigilantes.

SCOTLAND: The Pop Cop
Billy Jeffrey Jnr - Eternal Blue
Billy Jeffrey Jnr's debut album, Eternal Blue, received modest attention when it was released in early 2014 but - thanks to the power of word-of-mouth and mesmeric live performances - it continues to gain the Glasgow songwriter a host of new fans and followers with each passing week. Possessing the same otherworldly quality as Bon Iver, it is a record full of elegant moments, with title track Eternal Blue being a personal favourite. 

SOUTH KOREA: Indieful ROK
We Hate JH - 20
Emo/power-pop band We Hate JH made the finals of this year's edition of the foremost South Korean rookie competition, Hello Rookie. A brand new single will be out very soon, but 20 is the charming and extremely likeable opening track off the official debut EP Officially, We Hate JH released earlier this year.

SPAIN: Musikorner
Role - Shrine II
Role are a four-piece from Madrid whose sound is influenced by dream-pop, trip-hop and even art-rock. They have played live at Valle Eléctrico, one of the most important experimental electronic club nights in Spain, and their first album is due to be released in the first quarter of 2015.

UNITED STATES: We Listen For You
Jenna Dean - Blown
Funk-based hip hop is alive and well in the form of this brilliant track from Jenna Dean. Smooth guitars open into a locked groove that swarms around a controlled lyrical outpouring. It's a song that builds and builds, never letting the listener down.