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11 de fevereiro de 2017

Pin Ups de volta e com show em BH


A paulistana Pin Ups foi criada em 1988 e se tornou um dos principais nomes do underground nacional nos anos 90. Elogiada por gente como Dave Grohl e Kurt Cobain, a banda tocou com ícones indie como Pixies e Superchunk. Após anos parada, a banda se reuniu para uma apresentação lotada no Sesc Pompeia no fim de 2015 e agora retoma as atividades na Obra, em BH, dando sequência aos shows que fizeram no festival Bananada e na Virada Cultural de São Paulo em 2016. A formação atual da banda é Alê Briganti (voz e baixo), Zé Antônio Algodoal (guitarra), Adriano Cintra (guitarra / ex-Cansei de Ser Sexy, Thee Butchers Orchestra, Madrid) e Flávio Cavichioli (bateria / Forgotten Boys, Corazones Muertos). O show de BH acontece dentro da programação do Tremor, festival criado para marcar os 20 anos da Obra, famoso inferninho da capital mineira. O projeto já recebeu bandas como Autoramas, Ludovic, Pequena Morte e Vivendo do Ócio e segue até junho, quando a Obra comemora seu aniversário.

 A abertura do Pin Ups será feita pela Miêta, banda indie que apesar do pouco tempo de formação (foi criada em 2015 a partir de um post no Facebook) já realizou algumas turnês pelo país. Representante do rock feminino de BH, a banda mistura dream pop, shoegaze e indie e prepara seu primeiro disco.

8 de fevereiro de 2017

Uma prévia do novo disco do Minimalista

Programado para ser lançado dia 13 de março, Banzo é o segundo disco do Minimalista, projeto solo do Thales Silva (também vocalista da A Fase Rosa e do bloco Juventude Bronzeada, um dos maiores de BH). É um disco mais complexo e denso que o anterior, lançado aqui no Meio Desligado há quase três anos. Dois singles já lançados dão uma ideia do que está por vir: "O peso", colaboração com Gui Amabis, e a manochaoana "Branquinha". Dos melhores lançamentos desse início de ano.

22 de janeiro de 2017

O que vi ao vivo em 2016

Essa é uma playlist bastante pessoal, parte de um registro particular que mantenho desde 2014 anotando todos os shows aos quais assisto. Em 2016 foram 196 shows (quase como um show dia sim, dia não), cujos artistas estão reunidos na ordem cronológica em que os vi na playlist abaixo. Para mim, marca parte de como foi o meu ano, por onde estive e o que fiz. Aqui, no blog, serve como um exemplo do que era possível acompanhar ao vivo em 2016 e um recorte das bandas ativas nesse período (principalmente na cena alternativa brasileira).

Abaixo destaco, a partir das minhas anotações na época dos shows, alguns dos meus favoritos:

- SUUNS (Sala Apolo e Parc Del Forum) _ "dos shows mais incríveis que já vi. segue a estética do health e battles só que mais industrial e dark"
- BEAK > (Barcelona e Porto) _ "minha maior surpresa no festival. hipnótico e dançante, krautrock contemporâneo com raízes no Portishead"
- RADIOHEAD (Barcelona)_ "pra mim, sem dúvida uma das melhores bandas da história. incrível como o som mudou em comparação com as bandas que tocaram anteriormente no mesmo palco. as músicas do 'a moon shaped pool' funcionaram bem ao vivo, ao contrário do que eu imaginava"
- TY SEGALL AND THE MUGGERS (especificamente o show da Sala Apolo, em Barcelona. O do Parc Del Forum vi só um pedaço e o de Porto foi mediano) _ "foda. alta velocidade o tempo todo. deathpunk ao estilo Turbonegro com um visual Village People e Frank Zappa. Ty é como um Iggy Pop da geração instagram"
- BATTLES (Porto, porque o de BCN foi ruim - a banda errou bastante lá) _ "deve ter sido a primeira vez que chorei durante um show instrumental. é a trilha de uma hipotética luta entre homens e máquinas em um futuro pós-apocalíptico. a gravação dos loops ao vivo é de uma fragilidade que usa pequenos 'erros' como elementos pra construir a singularidade de cada show da banda"
- PJ HARVEY (BCN e Porto) _ "poucos hits no repertório. atmosfera mais sombria. show mais bonito que já vi em termos de imagens ao vivo no telão"
- JOHN CARPENTER (BCN) _ "primeiro show dele. musicalmente, é um pré-industrial com hard rock, não lá muito original. as projeções de trechos de filmes do diretor funcionaram muito bem, público delirou"
- FLOATING POINTS (Porto) _ "daqueles shows que valeriam, por si só, todo o festival"
STEVE SHELLEY + GATA PIRÂMIDE (CCSP) _ "cerca de meia hora de show apenas, mas valeu por um festival. mistura as músicas mais agitadas do Sonic Youth com o início do Hurtmold e o Diagonal"
- TORTOISE (Porto) _ "começou estranho, como se algo estivesse fora do lugar, até que você se percebe imerso no som sem saber como chegou ali e não quer que aquilo acabe"
- KAMASI WASHINGTON (BCN) _ "tive receio por causa do hype mas ele se justifica. os hipsters não duraram o show inteiro, o rockdelux estava entupido no início e foi esvaziando"
- OCEANIA (Autêntica) _ "15 anos depois do show do Diesel no Rock in Rio, a energia do público ao ouvir as músicas da banda foi sensacional. expectativa boa pelo que o Oceania vai produzir"
- AVA ROCHA (no Coquetel Molotov BH, o do Popload Festival vi pela metade)
- DEERHOOF (Coquetel Molotov BH e Recife) _ "muito melhor ao vivo do que gravado. experimentalismo com punch"
- CIDADÃO INSTIGADO (Autêntica) - "até então meu show favorito do Música Quente (atualização: foi sim meu favorito). pesado, enérgico, boa escolha de repertório, mesmo sem tocar alguns hits"
- NELDA PIÑA E BOGOTÁ ORQUESTRA AFROBEAT (Latino Power)
- RAKTA (Coquetel Molotov) _ "justifica todo o burburinho. música experimental enérgica e sombria"
- METÁ METÁ (Autêntica) _ "duas noites seguidas, ambas lotadas. a primeira, com repertório mais animado e distorcido. só ao vivo reparei como os elementos percussivos cresceram progressivamente ao longo dos álbuns"
- LES DEUXLUXES (Centro Cultural Rio Verde e Breve) _ "dupla de duas guitarras e bateria. sujo, cru. entre o rock de garagem e rockabilly"
- SANDRA KOLSTAD (Centro Cultural Rio Verde) _ "metronomy + bjork. pena que as músicas novas ainda não foram lançadas"
- CAETANO VELOSO (Inhotim) _ "a produção do festival foi desastrosa, mas assistir a um show do Caetano voz e violão, de perto em Inhotim, é algo pra ficar marcado na memória"

6 de dezembro de 2016

Achei que devia fazer um texto sobre os 10 anos do blog mas não pensei num título bom



6 de dezembro de 2006. As capas dos jornais informam sobre o caos nos aeroportos brasileiros (uma prévia do "relaxa e goza"). Nasa encontra provas de água em Marte. Saddam Hussein ainda está vivo e acaba de ser sentenciado à morte. Um Golpe de Estado em curso em Fiji. Lula reeleito com mais de 60% dos votos. Playstation 3 e o Wii são lançamentos recentes.  Randy Rhoads faria 50 anos se estivesse vivo. Sarah Sheeva ainda vê AQUILO MARAVILHOSO.

Às 11:19 daquela quarta-feira, provavelmente durante uma aula chata de diagramação, fiz a primeira publicação por aqui. Talvez fosse a época em que eu estudava jornalismo pela manhã, trabalhava de tarde, estudava design de noite e chegava em casa à meia-noite, na região metropolitana de BH. A memória falha, mas não é necessariamente um problema, já que o que esquecemos também é parte do que define o que somos. 1.329 posts depois, percebo que parte do que sou hoje passa por aqui. E que durou todo esse tempo porque sempre escrevi para mim em primeiro lugar, independente de visitantes. Porque em meio a todas as falhas, textos ruins e a prepotência irônica da adolescência também havia a curiosidade, o prazer do descobrimento e ____________ (complete com outras coisas que vemos em textos motivacionais).

Eu não conhecia nenhum músico, nenhum produtor, nenhum jornalista. No meu blog anterior, tampava os rostos de todos os músicos nas fotos porque acreditava que a única coisa que importava era a música em si, não a aparência, os egos. Achava a coisa mais brega e egocêntrica os nomes próprios dos artistas em suas carreiras solo (quer dizer, ainda acho). Acreditava que a arte só poderia ser sincera e livre se gratuita, desvinculada de relações mercadológicas. Só que a realidade pro filho de uma ex-caixa de supermercado e um ex-entregador de pães é bem distinta de uma utopia artística. O processo é lento. E se em um primeiro momento imaginar certo conformismo gera decepção, em outro a mesma lentidão te faz acreditar que é possível mudar as coisas por dentro. Estar dentro do sistema para tentar mudá-lo. "Você vai escolher o que tiver mais perto de você, o que tiver dentro da sua realidade", dizem os Racionais.

Revisito os arquivos com parcimônia (não sei de onde me veio a vontade de usar essa palavra, mas veio), faz parte de um processo de autocrítica. Por mais que às vezes eu não reconheça o autor daquelas publicações, os textos que geraram 80 mil acessos em um dia e os que ficaram nos 100 leitores importam da mesma forma porque têm um valor pessoal (há anos, aliás, sequer acompanho as métricas de acesso do blog). E, imagino, algum valor pra outras pessoas.

É só mais uma entre várias abstrações, mas considerei a data um momento pertinente pra recapitulações. O rio nunca é o mesmo, não é? Recentemente anotei a fala de um neurologista (no contexto original, sobre sinapses e esquizofrenia): "o segredo do aprendizado é a eliminação sistemática do excesso. É principalmente morrendo que nós crescemos". Tem a ver com a euforia da infância e da adolescência, os processos do corpo. E funciona também aqui.

Em 2006, escrevia da perspectiva de alguém com muitos "nuncas" na vida (como nunca ter saído de Minas Gerais) e a ingenuidade de acreditar que poderia fazer o que quisesse na vida. Cortei alguns nuncas e continuo tentando, mas se der errado a preparação já foi feita. E no geral, a gente sabe, o que vale é o processo.

E sobre música, cena independente, indie e afins? Esqueci das aspas. Muitas.

Aff...

Bem, melhorou. Tanto pra quem produz como pra quem gosta de ouvir (pra evitar a palavra "consome"). E também derrubou ainda mais a barreira entre esses dois pontos da cadeia (quem produz e quem ouve). Os algoritmos do Spotify e afins, por exemplo, são uma alternativa bem mais interessante do que textos de Facebook sobre as bandas dos amigos dos seus amigos ou blogueiros querendo pagar de descolados com suas escolhas diferentonas. É relativamente fácil descobrir as casas de show que abrangem determinado gênero musical em cada cidade e entrar em contato com produtores do mundo todo. Não que isso já não fosse possível em 2006, mas agora mais gente já se tocou de que, opa, isso dá pra fazer (piada geograficamente localizada, entendedores entenderão).

Parte do que é ruim permanece da mesma forma. Produtores que pensam apenas no dinheiro, jornalismo à base de amizade, músicos que tentam tirar os méritos do outro que começar a se destacar mais. Recalque, inveja, insegurança? Em cada cidade a história se repete, é comum encontrar aqueles que se acham injustiçados e reclamam dos demais, das panelas da cena (as "panelas", quase sempre mal-acompanhadas em um contexto fora do culinário).  E assim se fecham nos próprios nichos, às vezes reproduzindo uma das práticas mais questionáveis do rap, que é identificar oponentes de maior visibilidade e tentar chamar atenção para si ao atacá-los (sobre o assunto, vale a audição dessa e dessa outra música - gosto de ambas, apesar de discordar de pontos dos discursos). Não que sejam críticas vazias (apesar de serem só chorume na maior parte das vezes). Mas o que mais vejo são pessoas que sequer contribuem efetivamente pra que aconteça uma real melhora, apenas pensam em seus próprios egos trabalhos, não vão aos shows de outros artistas, não divulgam trabalhos alheios (em um sentido mais amplo, alguém fora da sua patota), não buscam uma troca maior. E trocas, intercâmbios, a gente sabe, são geralmente bons.

Voltando ao assunto original.

Este ano também marcou um desejo antigo, o Festival Meio Desligado. Ingressos esgotados e uma satisfação enorme por ter a Guizado, E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Sara Não Tem Nome e Luneta Mágica na primeira edição. Os planos são uma segunda edição em breve, independente de patrocínios ou apoios. Por aqui, continuar com um texto semanal (pensei em definir uma atualização sempre na segunda-feira mas gosto da liberdade de publicar quando quiser) e algumas séries temáticas já em andamento. Além de continuar e ampliar as atividades da Quente, claro. Aproveito pra pedir desculpas a todos que enviam emails e não têm resposta, eu realmente leio muito pouco os emails do blog e por isso peço pra enviar via Twitter.

Pensei em citar Belchior agora, mas achei cafona (apesar de real). Quem sabe com o tempo a gente acerte mais, né?