22 de maio de 2012

Resultado do edital Natura Musical MG

Frito na Hora, Thiago Delegado, Festejo do Tambor Mineiro e Mimo - Ouro Preto são os projetos selecionados na mais recente edição do edital Natura Musical, programa de patrocínios culturais da Natura. Escolhidos entre os 349 projetos inscritos, esses projetos dividirão R$ 1 milhão de patrocínio.

O Frito na Hora, grupo percussivo de improvisação, gravará um DVD resultante de cinco shows, cada um deles com um diretor diferente; o violonista Thiago Delegado irá lançar seu segundo CD solo, Via mundo; o Festejo do Tambor Mineiro vai comemorar 10 anos do evento que celebra a cultura afro-mineira; e a Mimo, originalmente Mostra Internacional de Música em Olinda, estreará sua edição mineira em Ouro Preto, onde acontecerão 8 shows ao estilo da versão pernambucana do festival, com shows em igrejas, museus e praças.

Frito na Hora ao vivo, em parceria com a banda instrumental Dibigode  

Thiago Delegado em entrevista e trecho de show

A escolha da Mimo como uma das patrocinadas foi o ponto polêmico do edital. Além da redução no número de projetos selecionados, incluir um projeto já estabelecido e criado em outro Estado destoa do fomento e valorização da música mineira proferido pelo Natura Musical. E apesar dos valores destinados a cada projeto não serem divulgados, basta analisar os valores aprovados na Lei Estadual de Incentivo à Cultura de MG para perceber que o festival, sozinho, ficará com praticamente metade do valor do patrocínio destinado ao edital regional do Natura Musical. O projeto de Thiago Delegado foi aprovado a captar R$ 136.206,40; o Frito na Hora, R$ 194.400; o Festejo do Tambor Mineiro, R$ 130.930,80; e a Mimo aprovou R$ 310.000 que, somados ao valor da contrapartida obrigatória (20% do valor total do projeto, sendo que nessa porcentagem a empresa patrocinadora não tem dedução de imposto) chega próximo da quantia de R$ 400.000, quase 40% do valor do edital.

A Lei de Incentivo à Cultura de Minas Gerais é uma das mais elogiadas do país, tida como uma das que possui melhor funcionamento. Além de atrair empresas interessadas em patrocinar projetos culturais através da isenção fiscal, a Lei tem chamado atenção de empresas e projetos de outros Estados. O festival MADA - Música Alimento da Alma, realizado em Natal/RN desde 1998, é um deles. Em 2012, aprovou R$ 285.000 na lei de incentivo mineira para realizar uma edição em Belo Horizonte. 

Não se trata de ilegalidade alguma no que se refere a esses projetos originados em outras regiões do país serem aprovados na lei mineira (uma vez que os proponentes são empresas sediadas em MG), mas a crescente presença dos mesmos pode vir a gerar um efeito negativo que limita os recursos para o surgimento de proposta mineiras originais. Por outro lado, a inserção no mercado mineiro de iniciativas já bem-sucedidas em outros Estados pode ser benéfica à cultura local justamente por fazer uso da experiência obtida fora para apresentar projetos de qualidade técnica e artística ao público e ao próprio mercado mineiro. De uma forma ou de outra, vale a reflexão.

21 de maio de 2012

Conexão Vivo BH em imagens


Estou trabalhando no Conexão Vivo (mais uma vez), por isso a queda no ritmo de publicações por aqui. Desde o início de Maio os shows acontecem por BH, primeiro no Grande Teatro do Palácio das Artes e, no último final de semana, no Parque Municipal. Nos próximos dias 26 e 27 a etapa belo-horizontina de shows do Conexão Vivo termina na Praça do Papa. Enquanto a cobertura completa não vem, veja algumas fotos dos shows que aconteceram no Parque. Todas estão disponíveis no Flickr do Conexão Vivo.


Criolo


4instrumental
Apanhador Só
BaianaSystem

Bixiga70


15 de maio de 2012

Leonardo Marques na Music Alliance Pact de Maio

Music Alliance Pact é um projeto global que envolve cerca de 40 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas desses países. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem. No Brasil, essa função é exercida pelo Meio Desligado, que em Maio selecionou "Linha do trem", do CD de estreia do mineiro Leonardo Marques. Você pode ouvir cada uma das músicas abaixo ou fazer o download gratuito da coletânea completa.


 BRASILMeio Desligado
Leonardo Marques - Linha do Trem
Certa nostalgia melódica marca Dia e noite no mesmo céu, álbum de estreia de Leonardo Marques. Suas canções remetem a cenários bucólicos, românticos e solitários, como podemos ouvir em "Linha do trem". Leonardo gravou todos os instrumentos (exceto bateria) em um esquema caseiro e intimista que pode agradar aos fãs de Elliott Smith, Clube da Esquina e Jon Brion.
English version: Nostalgic melodies are the hallmark of Dia e noite no mesmo céu, the debut album of Leonardo Marques. His songs recall a bucolic scenery, romantic and lonely, as we can hear on "Linha do Trem". Leonardo recorded all instruments on his solo work (except drums) in a homely, intimate setting. His music is likely to appeal to fans of Elliott Smith, Clube da Esquina and Jon Brion.
 

ARGENTINA: Zonaindie 
PVACCM is a psychedelic rock duo (Mariano, drums and vocals; Prietto, guitar and vocals) from Buenos Aires. Their first recordings were kind of lo-fi experiments but in the past couple of years they've developed a unique sound with melodies and lyrics that grow on you in a melancholic way. This track is their rendition of Leonard Cohen's classic tune Hey, That's No Way To Say Goodbye and features on their last album, a 28-song double record that you can purchase from Bandcamp.
 

AUSTRIA: Walzerkönig 
Mile Me Deaf is one of the other bands Killed By 9V Batteries' Wolfgang Möstl plays in. And although side-projects - such an unfair name for a 500+ songs oeuvre - are usually a space for weird shit your band mates didn't agree to, their first album Eat Skull, and especially the first single Wild At Heart, is surprisingly free of noise and distortion. Instead, it creates the last-day-of-summer-holidays feeling you know from Girls and Beach House. 
 

The story of The Rest's new album, SEESAW, will be one of legend. First, their dear friend and producer Dan Achen passed away suddenly just as they started recording. Then, a month away from finishing the record, a hard-drive glitch deleted everything they'd done so far. It took a black box recovery team six months to retrieve it. Now, more than a year later, it's here. And it's stunning. The beautifully hazy Always On My Mind just hints at SEESAW's orchestral brilliance. 
 

CHILE: Super 45 
If we had to put all our money on one name from the Chilean dance scene, it would definitively be Daniel Klauser. The young producer skillfully brings together elements from 90s house, ghetto-style hip hop and tribal music, and has so far gathered a considerable amount of positive reviews from local and international media. This track open his Simply Swag EP, which you can download for free from Diamante Records
 

CHINA: Wooozy 
Beijing-based trio Snapline just released their second album Phenomena through Maybe Mars Records. Their music puts a contemporary Beijing spin on the sounds and ideas produced by the noise and minimalist musicians of the 70s and 80s, especially focusing on the New York scene of that period. They also explore the dark, industrial music coming out of England during that period, especially from bands such as Joy Division and The Cure. 
 

Like Some Cat From Japan (LSCFJ) take their name from a line in one of David Bowie's masterpieces, Ziggy Stardust. This electro group from Bogotá have a dance-punk sound that is perfect for the sweaty throng of a nightclub and dancing from dark until dawn. 
 

DENMARK: All Scandinavian 
This summer Andreas Asingh, one third of lauded electro-pop outfit SMALL, will release his debut as SLOWOLF. Not much is known about the project but he says that black metal, hip hop and dream pop will unite, perhaps for the first time, on the album which will also feature a chorus written by a seven-year-old boy and Raekwon of the Wu-Tang Clan. Here's the excellent first single See U In My Dreams, a Music Alliance Pact exclusive download. 
 

Sarah Young, noted the Guardian's New Band of the Day writer, is the queen of moombahton, the genre that fuses Dutch house and reggaeton, soca and dancehall. If anyone is going to cross over and "do a Katy B", as such a manoeuvre is becoming known, it's this 22-year-old graduate of the Academy of Contemporary Music turned DJ, producer and all-round moom-bassador. Ajambo Si, the opening track on her new EP, features Lioness and Slick Don and is based on a kuduro rhythm, but to the NBotD writer it sounded "like dubstep meets dancehall or Caribbean grime, like Dizzee if he went to St Lucia on holiday and never came back". 

FINLAND: Glue 
Post-rock band All Will Be Quiet releases its debut album On The First Day this month. It is a concept record about the collapse and rebirth of society with an optimistic view on the how the future will be for mankind. Equally ambitious is The First Day Pt. 2, a grandiose and cinematic instrumental song that opens the second part of the album. 
 

FRANCE: Yet You're Fired 
Birkii brought us the joyful pop song Shade Of Doubt last year on the great Kitsuné Parisien compilation, and then appeared in many mixes and playlists, including Edwin van Cleef's April mixtape. Now she's back with Holy War, a catchy synth-pop song from Kitsuné Parisien II that will also be on her debut EP out on June 4, with remixes from Equateur, Pol Rax, Pegase (last month's MAP artist) and Zemaria. 
 

GERMANY: Blogpartei 
There are many subtle things in Christian Loeffler's debut A Forest which make his music very contemporary - there is swishing, there is rustling, there is clacking, there is tinging. In the pleasantly moody track Eleven, Mohna, singer of former MAP band Me Succeeds, adds another level to Loeffler's calm but vivid opus. 
 

   ICELAND: Rjóminn 
Representing the new wave of Icelandic folk-pop revival, The Lovely Lion are ones to watch for the future. Though this young and extremely talented band have only recorded a handful of songs and are still unsigned, their unique approach to songwriting and polished sound is sure to grab the attention of music lovers everywhere. 
 

  INDONESIA: Deathrockstar 
Raw, lo-fi, angry dark punk from Medan with added passion about world history which leads us to a song about Napoleon Bonaparte. 

IRELAND: Nialler9 
Northern Irish electro punks Not Squares have ditched the ultra high-energy in favour of a more restrained dancefloor synth-pop sound for their new single. While Fall Far's new direction can be compared to the kind of stuff coming out on the Kitsuné label, it must be said that this is a very good look and a surprising one for the band. The best Irish song released in April bar none. 
 

  ITALY: Polaroid 
You Are The Reason For My Trouble is the fourth album by The Mojomatics, one the best and coolest garage rock bands around Italy and Europe. The duo from Venice brings into their sound echoes of Rolling Stones, Kinks and Dylan, but what I deeply love about their songs and concerts is their tireless energy. 
 

Indie-pop music never left Japan, as bands trying to sound twee have been popping up since the C86 tape dropped. Yet this year has seen a boom in jangly rock groups, with Osaka outfit Wallflower being one of the catchiest. They take cues from The Pains Of Being Pure At Heart and even opened for that American band when they came to Japan earlier this year. This song shows they learned well from The Pains, as they nail dreamy indie-pop yearning in just over three minutes. 
 

  MALTA: Stagedive Malta 
Stolen Creep is the brainchild of childhood friends Marie Borg Alden (guitars, vocals) and Rebecca Theuma (drums). The band has had many different members, recently settling into the current line-up of Marie, Rebecca and Katryna Storace (guitars, vocals). Following a busy year of writing, rewriting and rehearsals, they chose their favourite songs and retreated to record their first EP, Throw Your Heart To The Sea.
 

The title of this song, translated into English, is "Today, I Like My Hair". With the naive viewpoint of early college students, this Mexico City quintet portrait everyday existential nuances with an optimism only an iPod advertisement would reach. But don't classify Andy Mountains as cheap, feelgood jingle-makers. Their sound thrives in high-brow references that go from Animal Collective to the minimalism of La Monte Young. Give this tune a try and have a good hair day! 
 

  PERU: SoTB 
Audioley is a new project by Francois Peglau and Jules Drade, two Peruvian musicians based in London. Audioley started as an experiment, with the duo meeting one night every week to make a song a day. First single Same Old is feelgood electronic pop and comes with a curious and funny video.  

  PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco? 
T(h)ree was featured in MAP in February 2011. T(h)ree is not a band but a project which brings together musicians/bands from Portugal and, for this second volume, Philippines and Singapore. In the featured track, we have Stealing Orchestra (Portugal), Maze (Portugal) and The Analog Girl (Singapore) playing together. 
 

  PUERTO RICO: Puerto Rico Indie 
Harry Rag is the solo project of Kristian Prieto (Coleco, Alegría Rampante), who wanted to figure out just how many sounds and moods he could generate with his acoustic guitar. Prieto has released seven 'web albums' under the Harry Rag name, all recorded in his bedroom straight to a four-track, each one expanding on his guitar experiments and polishing up his sound. Tiny Painting is a great recent example of his prowess as a young musician and is taken from his latest album, The Ghastly Adventures Of Ghost Goat.
 

ROMANIA: Babylon Noise 
Jazzadezz is a dream pop/new wave band formed by Alin Zabrauteanu (synths, guitar, production) and Dezdemona Mihaescu (vocals). For their 2010 debut album Inimani Mal, Calin Torsan (Domnisoara Pogany and NU & Apa Neagră) joined the band playing clarinet, recorder and caval. In 2012, another two members were added, Alex Stanciu on guitar (also in Domnisoara Pogany) and drummer Eduard Gabia, a renowned choreographer and contemporary artist. The second album, Panta Rhei, was released last month and experiments in new areas such as ambient, post-rock and trip-hop. 

RUSSIA: Big Echo 
Striwi Kri4at is a beautiful instrumental piece from romantic dream pop band 2muchachos, who released their Vesnywki!! EP last month, a perfect soundtrack for spring. 
 

  SCOTLAND: The Pop Cop 
Julia Doogan has everything you'd want from a pop singer - a genuinely distinguishable voice, a breakable heart, just the right amount of melancholy, and lyrics that are honest but not mushy. MAP exclusive free download Down The Line is taken from Julia And The Doogans' achingly graceful new five-track Diamonds EP (buy on Bandcamp), and shows off the talents of Julia and her lush band to near perfection. 

No man is an island, yet one gets the sense that the musical ideas that transpire in Sze Kiat's mind were born from the stillness of time. There's an unhurried approach to his songwriting and an intimacy that evokes a strain that could only come from a sort of crying out from some terrifying or forsaken place. Featuring traditional Chinese stringed instruments such as the erhu and the zhongruan, the sparse instrumentation serves as the background to Sze Kiat's simple yet emotive lyrics. 
 

  SOUTH AFRICA: Musical Mover & Shaker! 
Nate Maingard is an indie-folk singer-songwriter from Cape Town whose music often brings the likes of Damien Rice, Coldplay and Jack Johnson to mind. His voice has been compared to Thom Yorke and Ben Gibbard, and his easy style and sense of melody shine through on The Open Space with a passionate undertone throughout.
   

SOUTH KOREA: Korean Indie 
E9, short for Edward Nine, wish to combine the pureness of Edward Scissorhands with the rampage of Nine Inch Nails. Their sound is influenced by groups like Placebo and Muse, while their lyrics tell fairy tales. The band has been around for several years and are preparing to release their first EP. My Little Flutter is a perfect sample of E9's mixture of grunge, punk and Britpop with electronic sounds. 
 

  SPAIN: Musikorner 
Boreals are probably younger than any of you beloved MAP readers but that doesn't mean they don't know what they're doing. And what they do is deliver a fine mixture of cosmic post-rock (clearly influenced by Explosions In The Sky) embellished with clouds of synths that makes their sound epic and heart-touching, just as post-rock should. Luciérnagas, one of their most atmospheric tracks, is taken from their second EP, Grecia, released through Barcelona-based label Irregular, home of former MAP acts Lasers and The Suicide Of Western Culture. 

SWEDEN: Swedesplease 
The new record from Skatan is out on May 23 and is called Seven Trees. The first single, Control, features a little more eclectic instrumentation than in the past and Simone Andersson Wingfors' voice is less processed and more immediate, resulting in a song that hits all the right chords. 
 

  SWITZERLAND: 78s 
This five-piece from Zurich play impulsive pop music with a blend of country and rock. Baba Shrimps will release a new record at the end of 2012, but to shorten the waiting time they have dropped a live version of a new, unreleased song called Angel. 
 

  TURKEY: WEARTBEAT 
With their French electro/indie-influenced sound, Solardip is one of the few live acts of their genre in the country. In a short time, these three Istanbul youngsters have attracted a big audience. Debut album Future Now came out in March through Remoov Records after the release of the spectacular single and sexy video of Dance Like Wolves. 
 

  UNITED STATES: I Guess I'm Floating 
There's no hiding my affection for Gainesville's Hundred Waters, one of 2012's best new bands. Just as bewilderingly complete, elegant and worth exploring is the solo work of their frontwoman, Nicole Miglis. Stay Small is from her debut self-titled EP, which you can download for free here

VENEZUELA: Música y Más 
Ulises Hadjis is a young artist from Maracaibo. Despite his fledgling career, he already has two albums and a Latin Grammy as a music producer to his name. His second record, Cosas Perdidas, was released last month. In his own words, it is "an honest collection of songs" and shows more maturity in his lyrics and compositions than its predecessor, Presente. 

13 de maio de 2012

Cobertura do festival Bananada 2012

White Denim no Festival Bananada
Procurando um lugar onde pudéssemos comprar cerveja às três da madrugada no centro de Goiânia, encontramos, próximo a um puteiro no qual alguns policiais acabavam de entrar, um boteco aberto. Na porta, junto a mendigos e crackeiros, sujeitos cabeludos com camisas de bandas de heavy metal. Dentro do bar, alguma banda de hard rock tocava alto. Em Goiânia, até os bares risca-faca são rock'n'roll.

Goiânia é uma cidade cheia de hipsters e roqueiros. Ao menos essa é a impressão ao ficar três dias por lá, acompanhando parte da programação do festival Bananada. Celeiro de bandas importantes na cena de rock alternativo nacional, como MQN e Black Drawing Chalks, a cidade parece ter uma vida noturna movimentada na qual a modernidade hipster se encontra com a tradição do rock. O visual das pessoas diz muito à respeito. Basta observar o público ou mesmo membros de bandas locais com som mais "ortodoxo", como o Black Drawing Chalks: complementando o tradicional visual rocker (muitas tatuagens, camisa preta de banda, jeans rasgado), o baterista da banda usa óculos coloridos e tênis verde-fluorescente. Os tênis, aliás, são um espetáculo à parte na cidade. Em cada boate, pub ou show, pin-ups e metaleiros estão calçados com tênis coloridos que parecem parte do figurino de algum filme ou clipe oitentista.

Isso se reflete na programação do Bananada. Ele não se rende às simples tendências musicais do momento, mas abrange diversas vertentes do rock, das mais pesadas às experimentais e psicodélicas. Feito no esquema "Quanto vale o show?", no qual cada pessoa paga o valor que quiser para entrar (contato que seja com uma nota), os dois dias principais do festival ficaram lotados e com um público atento aos shows. Realizado no bonito Centro Cultural da Universidade Federal de Goiás, o Bananada é o exemplo de festival de médio porte bem feito: som excepcional, entrada com preço acessível (nesse caso, ao extremo), boas bandas na programação e sem excesso de atrações por dia.

Estive na cidade ao lado do Luciano Viana e da Carou Araújo, ambos artistas/produtores/agitadores-culturais com os quais tenho projetos em desenvolvimento. Combinamos uma cobertura coletiva do festival na qual não influenciássemos uns aos outros. Isso significou assistir a todos os shows sem comentarmos entre nós sobre nenhum aspecto musical de cada apresentação (o que se mostrou extremamente difícil, mas acabou sendo positivo para nos forçar a conversar com outras pessoas, rs).

Os dois não economizaram nas palavras, portanto, decidi abrir mão dos meus próprios comentários sobre os shows e fazer apenas esta (nem tão breve) introdução. As fotos que ilustram a publicação são do Luciano (as fotos boas e sem efeitos) e minhas (as fotos cheias de efeitos, feitas no celular).

Ok, não vou resistir e apenas listar meus cinco shows favoritos, em ordem, no Bananada 2012:
Black Drawing Chalks
White Denim
Macaco Bong
Forgotten Boys
Cambriana / Red Boots / Aeromoças e Tenistas Russas (empate técnico)

Ah, só alguns comentários (não resisti de novo):
1. Quanta mulher bonita em Goiânia!
2. Os caras do White Denim são super simpáticos e acharam o show de Goiânia o melhor que fizeram no Brasil. Eles foram alguns dos que estavam na festinha pós-festival que fizemos no nosso quarto no hotel e que também tinha membros do Macaco Bong, Aeromoças e Tenistas Russas, Talma & Gadelha, Calistoga, Forgotten Boys e o pessoal da revista Vice.



Carou Araújo

Sábado 5/5/2012 
Depois de vivenciarmos (eu e Luciano) Conexão Aeroporto às 4 da manhã; avião trash; hotel errado; cochilo de leve; ensaio de uma banda que não conhecíamos; o último dia de Movida; os shows de encerramento do evento com as bandas Gloom e Hellbenders; e uma noite de sexta-feira com muita guitarra distorcida, algumas cervejas numa das casas mais legais de Goiânia Rock City (o Diablo Pub), fomos dormir, nós, correspondentes, em nosso lindo quarto de hotel de 3 camas.

Marcelo Santiago (o dono deste blog que invadimos momentaneamente e ocupante da terceira cama) havia chegado em um vôo da madrugada e dormia profundamente na cama ao lado. Nada sabia dessas experiências malucas ou do que se passara comigo e Luciano para chegarmos até ali. Ri sozinha pensando nas peripércias do dia anterior.

Acordei os dois no limiar entre o atraso e a pontualidade. Partimos para o almoço e logo em seguida para o Centro Cultural da UFG para o primeiro dia de shows no palco principal do festival Bananada. Esperamos o início dos shows com uma certa ansiedade do que viria pela frente em dois dias com 14 bandas diferentes para assistir.

Iniciados os trabalhos - primeira cerveja, primeiro show.

16h23
Sobe a primeira banda ao palco: Coletivo Musical, uns garotinhos de vinte e poucos anos de Goiânia, bem talentosos. Letras bem feitas, apesar dos arranjos ainda necessitarem de um pouco de lapidação. Mas vale pelo risco da experimentação, meio samba, meio baião, meio rockinho, com umas programações eletrônicas. Destaque especial para a vocalista, Bruna Mendez. Consciente da voz que tem, desenvolveu formas interessantes de explorá-la. Fim do primeiro show, nos reunimos e não podíamos comentar pelo combinado de cada um escrever sua própria visão do festival, sem influências dos coleguinhas. Ok, falemos então da Carolina Dieckmann (nota do editor: delícia!).

17h22
Segunda cerveza, segunda banda.
Cambriana. Várias pessoas ao meu redor ansiosas e curiosas pelo show. Pois bem: indiezinho meloso, com aquelas influências clássicas que todo mundo vive citando - The National e companhia limitada. Show bom, muitos instrumentos, multiinstrumentistas, programações eletrônicas etc. Tudo o que a molecada anda experimentando no Brasil por esses dias, mas que já foi usados até a exaustão pelas tais  referências há alguns anos. Nada de novo, mas bem feito.

18h11
Já na terceira cerveja e alegre por finalmente assistir o show dos queridos Talma & Gadelha, de Natal (RN). No dia anterior, eu e Luciano fomos convidados a assistir um ensaio deles com a substituta da guitarrista (Cris Botarelli) que está em uma viagem pelo mundo afora. E veja bem quem seria a escolhida: Niela Moura, a presença feminina que ocupa as guitarras e voz no meio daqueles marmanjos da Gloom. Esbanjando uma simpatia que só o pessoal de Natal tem, Luiz Gadelha convidou todo mundo pra dançar e até indicou as músicas mais românticas pra garantir o clima de paquera dentre o público que se mostrava bem jovem e interessado no show.

19h08
Um churrasquinho de filé miau pra recarregar as energias e pronto, bora pro quarto show da noite: Riverbreeze, também de Goiânia. Uma banda que se parece um pouco mais com o peso tradicional das bandas da cidade, apesar de ter influências claras das bandas indie gringas que surgiram de 2000 pra frente. Animadinho. As garotas gostaram, mas também não me pareceu nada de mais.

20h10
Uma comoção coletiva se iniciou na frente do palco. Ia começar o show do Macaco Bong, o trio instrumental que faz o chão tremer por onde passa. Mas dessa vez com um diferencial, primeiro show na cidade com o novo baixista, Gabriel Murilo. O som continua visceral e pesado, as linhas de guitarra  hipnóticas levam o público ao delírio logo nos primeiros acordes. Taí um show preciso, denso, alucinante. Perdi minha quinta ficha de cerveja no meio da confusão toda, mas nem deu tempo de me chatear, já ia começar o próximo show.

21h37
O show mais esperado da noite pra mim: Diego de Moraes, goiano inquieto que deixa suas críticas poéticas por onde passa. Meio Raul Seixas, meio Arnaldo Baptista, meio Sérgio Sampaio, completamente Diego. Faz de tudo pra tentar fazer com que todos entendam o que diz e escutem o que tem a dizer, hora suave, hora aos berros, pula, cai no chão, deita e rola! Catarse!
Em seu show, fez uma participação de improviso o grande mestre Jards Macalé com a música "Soluços" (composta por Jards quando tinha 15 anos), ensaiada com a banda duas horas antes do show e executada com a emoção que só duas almas inquietas são capazes de ter. Emocionante.

22h44
Sobe ao palco com seu violão e um sorriso meio tímido, Jards Macalé. Depois das guitarras, contrabaixos, baterias e distorções das bandas anteriores, o público se aquietou em uma contemplação da beleza, delicadeza e sabedoria que só um verdadeiro mestre sabe proporcionar. Cantou grandes sucessos como "Mal secreto", "Anjo exterminado" e "Farinha do desprezo". Nos mandou para casa de almas lavadas e espírito tranqüilo.

Claro que não fomos exatamente pra casa, mas essa é outra história, pra mesas de bar.

Domingo 6/5/2012
Mais uma vez não acordamos muito cedo, mas foi tempo o suficiente pra tomar banho com calma e ir comer antes de pegar a van pra UFG. Já no restaurante, encontramos os amigos Aeromoças e Tenistas Russas junto com os Macaco Bong numa mesa de almoço que dava gosto de ver. Neste momento deu pra perceber que o dia prometia absurdos! Pois bem, comecemos.

16h33
Primeiro show do dia, ainda na água!

Sobe ao palco a banda instrumental Dom Casamata, power trio, com pouco efeito visual, porém com algumas peculiaridades sonoras interessantes. Suas músicas vão do groove mais suingado à psicodelia guitarrística marcada pelos vários pedais espaciais. Destaque para o trompetista misterioso e tatuado que fez participação na melhor música do show!

Trompetista (que também é um skatista elogiado na cidade) convidado do Dom Casamata
17h13
Hora de pegar a primeira cerveja do dia e rebater o que quer que tivesse me batendo.
Começa o show dos Red Boots, duplinha danada de Mossoró (RN) que saiu direto do projeto incubadora do DoSol (que também lançou o Talma&Gadellha ano passado) para o Bananada, com um single na mão e muita loucura na cabeça. Guitarra, guitarra e mais guitarra, e claro, MUITO drive! Pesado, sujo, barulhento. E só. Hora da segunda cerveja pra refrescar o dia quente.

18h07
Os grandes amigos e parceiros Aeromoças e Tenistas Russas começam o show, soltam o sample e…. cadê o baterista? De repente eis que surge subindo as escadinhas do palco Dudu, ainda ajeitando suas munhequeiras, o único da banda realmente tenista! Rs. Logo na segunda música, Juliano (contrabaixo) convida o público pra chegar mais perto pra dançar. Foi batata! Logo a multidão já estava completamente hipnotizada pelo som. Destaque sempre para o sax, com linhas deliciosas, e, claro, lembrando sempre de creditar os samples de Jovem Palerosi que disparados com destreza por Gustavo Hoolis dão um tom especial pra músicas. Show quente!

19h01
Começa o show do Violins, o verdadeiro indiezinho brasileiro. Show morninho, sem muita novidade. Agrada as meninas e os meninos. Há quem goste bastante, mas não faz muita coisa comigo. Porém há de se reconhecer que as letras são boas. Terceira cerveja pra preparar para o próximo show.

Forgotten Boys

20h07
Sobem ao palco os Forgotten Boys. Depois de uns três anos sem ver show da banda, com uma formação completamente diferente da que estava em minha memória, escuto embasbacada um Forgotten Boys bem mais pop, com teclados e sem ninguém dando muito pala em cima do palco por conta das drogas. Será que o rock'n'roll morreu? Piadas à parte, o show foi bem impressionante. Aliás, tirou a sensação ruim que eu tinha do último show que me lembrava da banda. Os caras estão bem fincados e cheios de vontade de tocar e realmente fazer um show de verdade. Bem quente! Não à toa, moshs e mais moshs se formaram tornando quase impossível (para quem não queria participar deles) ver o show de perto. Mas escutava-se muito bem.

Pausa para o banheiro, um engasga lobo rápido e uma cerveja porque já estavam subindo ao palco os Black Drawing Chalks (nessa hora, meus queridos, eu até esqueci que tinha que olhar no relógio). Os caras mostraram a que vieram fazendo um show matador em casa, deixando claro o orgulho de ser goiano e circular pelo Brasil carregando essa bandeira. O público foi ao delírio mais absoluto que poderia, compreensivamente. Me devolveram o rock'n'roll que eu achei que tinha perdido, com muita energia, cabelos balançando pra lá e pra cá, suor e alegria. Já anunciando o lançamento do próximo trabalho da banda, tocaram músicas novas e o público foi à loucura. Show PELANDO!

E quando eu pensava que não haveria de acontecer mais nada surpreendente naquela noite sobem ao palco os texanos do White Denim, nome nada sonoro ou atraente (ao meu ver), ao contrário do som que era arrebatador. Uma mistura dos idos 70's de Led Zeppelin, com a modernidade dos indiezinhos Arctic Monkeys. James Petralli, o vocalista e guitarrista de uma habilidade vocal única, brincando fazia o pátio da UFG tremer deixando todo mundo de queixo caído com a apresentação. O segundo guitarrista, Austin Jenkins, tocava como se não houvesse amanhã, com um sorriso gigante o tempo inteiro na cara, como se estivesse fazendo a melhor coisa do mundo - e de fato estava. O baixista de aparência hipster, Steven Terebecki, enganou todo mundo com sua carinha de menino tímido: suas linhas de baixo tinham uma presença insana naquela miscelânea maluca texana. Alucinante. No final dava pra perguntar se alguém anotou a placa do trator que atropelou todo mundo naquele pátio da Universidade Federal de Goiás.

E o resto? É história de bastidor. Acontece em Goiânia, fica em Goiânia. Rá!

Luciano Viana

Cheguei na sexta-feira na querida Goiânia para acompanhar mais uma edição do Bananada, festival comandado pela Construtora Música e Cultura. Sempre bom voltar aquela cidade, pois como disse o próprio amigo Marcelo Santiago, "Goiânia é uma cidade em que até os butecos risca-faca tocam rock", o que não deixa de ser uma verdade dessa que é realmente uma das cidades mais rock do país. E no meu primeiro dia de festival, isso já foi mostrado logo de cara, com uma apresentação incendiária do Hellbenders (GO) na UFG, local que pela primeira vez recebeu o festival. Deu pra entender porque eles já dividem pau a pau as estampas de camisas na cidade com o Black Drawing Chalks. Deu vontade de ter chegado antes e pegar a apresentação deles numa das casas de show que compunham a programação do festival pra ver esse show em um lugar mais fervido. Mas fui contemplado pela programação pós-UFG, na Diablo, uma casa de estrutura bem legal, com os shows do Dry e Overfuzz, que continuaram mantendo o decibelímetro nas alturas com muito drive. No meio desses tapas no ouvido, ainda na UFG, teve espaço pro show do Gloom (GO), que tirou um pouco dos drives dos ouvidos mas manteve o nível lá no alto. O Gloom é uma banda que vem dando passos largos rumo a sua maturidade musical, o que ficou evidente durante um show onde os ritmos e arranjos são cada vez mais plurais, mas com uma assinatura estética bem pessoal da banda. É som certeiro pra qualquer festa.

No sábado, já com a programação totalmente voltado pra UFG, o festival teve início com o Coletivo Musical (GO), que segundo pesquisa com alguns amigos locais, trata-se de uma novidade da cena. E não é rock garageiro. A vocalista Bruna comandou com bastante competência e uma bela voz um desfile de sons que passaram por samba, indie rock e pop, direcionados pelas melodias vocais de bastante bom gosto. Deu inclusive pra ver já alguns na plateia cantando algumas músicas timidamente. A pluralidade estética do festival já deu as caras logo no início.

Na sequência, os competentes e simpáticos Talma & Gadelha (RN), acompanhados pela guitarrista/vocalista Niela (Gloom), mostraram seu trabalho que vem irradiando boas repercussões Brasil afora. Música pop certeira, algumas com letras de assimilação imediata e uma boa presença de guitarras. As três primeiras músicas do show ficaram ressonando na minha cabeça por boa parte da noite. 


O público já era bom e a tarde ainda não tinha caído. O Cambriana (GO), uma das bandas que mais queria ver, sobe ao palco. Depois das boas críticas geradas pelas redes sociais sobre o álbum de estreia da banda, um disco de inspirações "deathcabianas", faltava ver uma apresentação ao vivo para meter um carimbo de "aprovado 100%". A banda já tem um público que vibra a cada introdução das músicas preferidas, e olha que tem pouco tempo que a banda despejou na internet seu álbum de estreia. 
O show foi total linkado com o que a banda apresenta em seu registro sonoro oficial, e uma versão de "All Apologies" do Nirvana, que bateu na trave. Se tivesse pouco menos drive nas guitarras, cairia melhor na identidade da banda. Carimbei então um "aprovado", porém, com um asterisco de "com ressalvas", pois acho que a banda ainda pode e deve ganhar mais desenvoltura com o palco, com o público e com o feeling de suas próprias músicas. Mas acho que é somente questão de tempo e estrada para a banda encaixar todas essas peças nos seus lugares e ganhar cada vez mais espaço. Merecidamente, pois fazem um belo trabalho.

O também de casa do Riverbreeze (GO), foi a próxima atração, e botaram pra funcionar os primeiros elementos de pegada mais rock da noite, na vibe indie-rock-Arctic-Monkeys-das-antigas, com alguns bons arranjos de guitarras. Eis aí o teaser pro que viria na sequência.

Público durante show do Macaco Bong
Macaco Bong (MT), estreando nova formação e novas músicas em Goiânia, fez a lotada UFG ir a baixo. O público em total sintonia com a banda, parecia já conhecer as novas músicas de longa data, se entregando totalmente em cada riff, cada acorde, aplaudindo entre algumas passagens espontaneamente e com olhos vidrados no palco. E essa energia parece ter sido transmitida totalmente aos 3 caras lá em cima, e o Macaco Bong fez um dos melhores shows que vi dos caras nesses últimos tempos, e olha que tenho visto muitos. O clássico "Amendoim" e o final apoteótico com a novata "Dedo de Zombie" foram momentos dignos de serem registrados. Espero que alguém o tenha feito. Acho que todo cartaz de show dos caras deveria vir agora como Macaco Bong (MT) (MG) (GO), pois Goiânia é definitivamente uma das casas da banda.

Infelizmente perdi parte do show do Diego de Moraes (GO) para poder comer algo e continuar parando em pé, mas consegui ver alguns momentos com sua tradicional presença de palco maluca, totalmente condizente com o seu trabalho, e o emocionante encontro com Jards Macalé, que teve direito a escorregão do Diego e da banda esquecendo a letra e tendo que recomeçar a música, mas que não tirou o sentimento de emoção da participação. Mas foi por pouco.

E encerrando a noite, o impagável Jards Macalé (RJ), fazendo um show de voz e violão, de clima totalmente descontraído, montando seu set list instantaneamente através de sugestões de uma plateia que mesclou gerações. E para conseguir fechar um festival numa cidade do rock como Goiânia, num formato banquinho e violão, com o público pedindo bis e interagindo total com o show, é realmente para figuras como Jards Macalé.

O último dia de festival já dá uma cara mais "Goiânia Rock City". Trabalhos iniciados pelo instrumental rock do Dom Casamata (GO), que às vezes também é funk, às vezes é blues, às vezes tem coloridos do jazz.

A primeira boa surpresa do dia veio com a dupla do Red Boots (RN), diretamente de Mossoró. Baterista e guitarrista/vocalista a serviço de stoner rock, de riffs lotados de distorção, versos em inglês embriagados de cerveja, com uma presença de palco visceral. Em algumas músicas ainda se sente falta de um preenchimento maior, o que em outras se tem de sobra, mas é uma banda que tem muito o que mostrar por aí. Identificação imediata do público goiano.

Aeromoças e Tenistas Russas
Outra banda instrumental vem na sequência (a terceira do festival), que é o Aeromoças e Tenistas Russas, que vem em uma ótima fase, e circulando com a tour do seu "Kadmirra" por boa parte do Brasil, o que claramente está os munindo com uma coesão musical das boas em cima do palco. É impressionante o quanto a banda evoluiu nesse último ano, passando de mais uma das promessas do bom momento da música instrumental brasileira, para já ser uma realidade e referência para outras que estão vindo por aí. E essa ótima fase foi recebida de braços abertos pelo público, que vibrava em algumas das notas soltadas pelo saxofone de Thiago Hard ou esboçava movimentos tímidos pré-dança em alguns grooves conduzidos na cozinha da banda.

Violins (GO) foi a próxima atração, e com o vocalista/guitarrista Beto Cupertino empunhando novamente uma Les Paul, a banda volta a ter mais peso. Abriram o show também com uma das músicas mais pesadas da banda, "Do Tempo", com boa parte do peso ganho no bom trabalho da sonorização do festival, que botou o PA com uma pressão das boas e um dos melhores sons do line desse dia. O restante do show foi conduzido basicamente no repertório do último disco "Direito de Ser Nada", com algumas pinceladas aqui e ali de outras lembranças da ampla discografia da banda, todas as fases tendo a voz de Beto acompanhada por um bom coro da plateia. Fiquei na expectativa de talvez ouvir alguma composição inédita da banda, pra ver pra qual caminho sonoro a banda está rumando atualmente, mas ficou pra próxima. Aguardemos.

Forgotten Boys (SP), que há pouco tempo atrás teria o show aberto pelo Black Drawing Chalks, teve que suar pra abrir o show dos goianos em casa e manter o bom nível roqueiro da noite, mas conseguiram manter o público pra cima, trabalhando principalmente em cima dos clichês que lhes são pertinentes. Uma banda que não tem muitos segredos, mas que faz bem o básico que se propõe.

Nada básico foi o rolo compressor do Black Drawing Chalks (GO), que veio na sequência, jogando em casa, exorcizando os demônios do público sedento pelos bons riffs sujos que a banda sabe fazer com extrema competência. Foi o segundo show que vi dos caras em Goiânia, e é massa perceber o quanto os caras vem crescendo e firmando cada vez mais o pé como uma das melhores bandas do rock do país, o que orgulha com certeza todo aquele público que acompanhou insanamente o show do começo ao fim. No meio do percurso do show, algumas músicas do novo disco que sai provavelmente no mês que vem, e mostra a banda trabalhando outros elementos em sua sonoridade, principalmente na rítmica. 


Pra fechar o Bananada 2012, os gringos do line up: White Denim (EUA). Não conhecia quase nada da banda até ver seu nome na escalação do festival e decidi não pesquisar muito e deixar para ter a surpresa na hora do show. E que surpresa. Quatro indivíduos no palco fazendo um som altamente competente, cravado, tecnicamente perfeito e com um feeling de te fazer arrepiar até o cabelo da sobrancelha. Uma mistura louca de math rock, indie, psicodélico, noise, que transitava pra mim entre referências como Faraquet, Medications e Battles. Estava acontecendo ali um dos melhores espetáculos musicais que já presenciei. Olhava ao lado e via o mesmo queixo caído entre vários presentes no público, enquanto alguns se conformavam em somente bater a cabeça e outros cutucavam o ouvido com o dedo, já que realmente o PA estava um pouco além do limite, estourando a cabeça. Já me imaginava com o ouvido zumbindo dois dias seguidos depois daquele show, mas preferi não me importar com isso no momento pra não perder nenhum detalhe do show. Um show memorável e pelo que andei colhendo de depoimentos logo após o encerramento, parece que não foi só pra mim.

O fim de festival ainda contou com as tradicionais ida no "Vai toma no Kuka" com o tradicional pastel A4 e cerveja gelada, e o quarto 30 do hotel Rio Vermelho recebendo mais cerveja, músicos amigos, músicos não-amigos e a gringaiada gente boa até o amanhecer.

Goiânia, até breve. Assim espero.