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21 de novembro de 2014

Novos Baianos Futebol Clube, o documentário

Gravado para uma TV alemã em 1973, ano do lançamento do terceiro e homônimo disco dos Novos Baianos, Novos Baianos FC é um documentário excepcional em sua simplicidade e no valor histórico do registro. São pouquíssimos os depoimentos ao longo dos seus 44 minutos de duração, gravados ao longo de 10 dias no sítio Cantinho do Vovô, onde a banda vivia no auge de seu hippismo em plena ditadura militar, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.

Em tempos de registros ao vivo assépticos e mega produções, a crueza do registro ao vivo da banda neste documentário salta aos olhos e aos ouvidos em um rock'n'roll brasileiro, psicodélico e desleixado. É uma produção mais próxima de um registro antropológico do que uma obra musical.

"Não é uma família. Talvez um time de futebol", diz o narrador. E assim, entre jogos de futebol e o cotidiano do sítio, clássicos como "Mistério do Planeta", "A Menina Dança" e "Samba da Minha Terra" surgem despretensiosamente, entre menções ao futebol como metáfora para a liberdade criativa e a coletividade do grupo.

18 de novembro de 2014

Sobre música independente, festivais, Transborda e sentir-se falando como um tio ("naquela época...")

Primeiramente, uma foto estilosa. Porque texto longo sem foto estilosa assusta a garotada.

Foto estilosa pq texto sem foto estilosa assusta a garotada

Pronto. Agora começamos.


Em 2000, naquele que provavelmente foi o primeiro show alternativo ao qual fui, havia exatamente uma pessoa parada no meio do local assistindo à banda com atenção. O local em questão era um campo de futebol em Sabará e quem estava no palco era a Moan, banda belorizontina de indie rock depressivo (ou emotional hardcore, como diziam anos atrás). Quase dez anos depois, na mesma Sabará, à poucos quarteirões daquele campo de futebol, cerca de 10 mil pessoas compareceram aos shows, também alternativos, do festival Escambo (catorze anos depois daquele primeiro show eu encontraria o mesmo espectador solitário, agora já um velho amigo, em Nantes, onde veríamos juntos um show histórico do Black Rebel Motorcycle Club - banda conhecida durante o período descrito nos próximos parágrafos).

Os indies não se reproduziram como gremlins nesse período, mas a ampliação do público envolvido com a cena musical alternativa na última década me veio à mente durante o festival Transborda, cuja terceira edição aconteceu entre o fim de outubro e o início de novembro de 2014. Assim como o Escambo, o Transborda está diretamente ligado à experiência de quem viveu o início da popularização da internet e da troca de arquivos. Aqueles anos de internet discada, Napster e Soulseek, que resultaram em uma aproximação até então inédita com um enorme volume de novos artistas, culminando, alguns anos depois, na criação da TramaVirtual - a meca do indie brasileiro (ao menos por algum período).

Pela primeira vez se podia ouvir com facilidade (e de graça) gravações de bandas independentes nacionais. O passo seguinte era vê-las ao vivo. Afinal, eram artistas brasileiros, alguns deles residentes em cidades próximas. Então, durante algum show do Garage Fuzz, Mukeka di Rato ou algo do tipo, você poderia pensar "caralho, como é bom ouvir ao vivo o que escuto em casa". E assim por diante, semana após semana.

Desde então, a cena cresceu e foi perdendo a inocência. Foi se profissionalizando e, dependendo do ponto de vista, encaretando, ficando formatada demais. Em meio a isso tudo, um debate do Transborda com os produtores culturais Fabrício Nobre e Anderson Foca chamou atenção para um ponto: por mais que existam problemas, o mercado musical independente está dando certo. Nobre fez a provocação. Em uma sala com cerca de 20 pessoas, pediu que todos aqueles que tivessem a cultura como principal ou exclusiva fonte de renda levantassem a mão. Quase toda a plateia estava de braços erguidos. Segundo ele, 10 anos atrás essa situação seria impossível. Concordo.

E onde entra o Transborda nessa história? Ele é exemplo da transformação e do desenvolvimento da cena como um todo. Suas edições refletem os momentos do mercado, suas dificuldades e mudanças. Se na década passada a grande maioria dos festivais de música independente buscava headliners que atraíssem um maior número de pessoas para os shows (e para isso precisavam de patrocínios cada vez maiores), atualmente a formação de público é mais orgânica e em menor escala. As duas primeiras edições do Transborda levaram milhares de pessoas às ruas e ocuparam diversos espaços de BH. Mesmo assim, houve um hiato de três anos em sua realização e foram necessários alguns passos atrás para que o festival retornasse mais conciso e próximo do seu público alvo. O resultado? Casa lotada, artistas e público satisfeitos e sustentabilidade (podem esperar mais shows produzidos pela mesma galera em 2015).



Patrocínios e mecanismos públicos de incentivo à cultura continuem extremamente importantes, mas, além disso, transformações como a do Transborda 2014 apontam um caminho promissor. Principalmente quando se tem uma programação com algumas das bandas de rock mais interessantes da nova cena brasileira (Apanhador Só e Boogarins), um representante digno do "indie clássico" como há muito tempo não se ouvia (Câmera) e novidades promissoras (Hotel Catete, Red Boots, Mahmundi - os últimos, nem tão novidade assim, mas nem por isso menos promissores).

15 de novembro de 2014

Alessandra Leão na Music Alliance Pact de novembro

O Meio Desligado é o representante exclusivo do Brasil no Music Alliance Pact, projeto global que envolve cerca de 30 blogs especializados em música, de diferentes países, que mensalmente realiza uma coletânea com bandas independentes/alternativas. Todo dia 15 é publicada a coletânea com uma música escolhida pelo representante de seu respectivo país de origem.

Faça o download da coletânea deste mês ou escute cada uma das faixas clicando nos nomes das músicas abaixo.

ARGENTINA: Zonaindie
Tomás Ferrero - Cuando Te Hablo
In March 2013, a mixed group of musicians gathered together in Cordoba and Buenos Aires to play some songs and sound pieces composed with lyrics taken from the work of a federal collective of artists called Esta Vida No Otra. Some of them recorded the results several months later, and those tracks were then released as a compilation titled 15 Artistas Cantan Esta Vida No Otra. The song we have selected from this album, also available for free at Bandcamp, is Cuando Te Hablo by Tomás Ferrero from the band Rayos Láser.

AUSTRALIA: Who The Bloody Hell Are They?
Open Swimmer - Sugar Bowl
Open Swimmer's version of pop is jarring, even discordant at first, but it's this blatantly simple approach that has us hooked. (Dirty Projectors fans, pay attention now.) Sugar Bowl is a brilliant introduction to the band; playful yodelling is cut and pasted along a steady 4/4 drum beat, while witty banter takes the fore. Songwriter Ben TD was based in Glasgow for seven years, touring extensively and landing multiple sessions on BBC Radio One and a stint at T in the Park before settling in Melbourne. The band comprises some of Melbourne's most admired independent music alumni (The Harpoons, Seagull). Expect to hear a lot more from this group.


BRASIL: Meio Desligado
Alessandra Leão - Mofo
Alessandra Leão shows off her experimental side with "Mofo", taken from her new EP, Pedra De Sal. Avoiding the world music sound from other works, this song has dark music and some weird programming that fits the angst of the lyrics.

CANADA: Ride The Tempo
Beach Season - Midnights
There's not actually much out there on Beach Season besides the fact the project is from Calgary. The smooth vocals of Midnights complements the hip-hop influenced rhythms. This is a duo that won't be much of a mystery for long.

CHILE: Super 45
The Dagger Complex - Velvet Moon
The Dagger Complex were formed in 2013 by Hernán Díaz (vocals/guitar), Michaela Boman (vocals), Abraham Vicencio (guitar), Gonzalo Chandía (bass) and Ignacio Álvarez (drums). Their debut EP, Vibrant, released by Beast Discos, is a collection of songs inspired by early 90s shoegaze and dream-pop, one foot set in the cadence of bands such as Slowdive or Mojave 3, the other one in the fuzzy mass of noise of The Jesus And Mary Chain and My Bloody Valentine.

DENMARK: All Scandinavian
IAmFire - Burn Your Halo
IAmFire have their debut EP ready and apparently it sounds like a "massive drug experience" to frontman Peter Dolving. Come December, he and the rest of the gang will be releasing this groovy stoner metal dragon and here's Burn Your Halo as a MAP exclusive download.

DOMINICAN REPUBLIC: La Casetera
Gnómico & Victor Victor - Mesita De Noche
Hip-hop producer Gnómico has always been interested in preserving Dominican musical culture for the present and future generations. Now he's embarking on a new project called Sinergia that will add an urban twist to many songs from past decades. The first one is Mesita De Noche, a famous 90s bachata by Victor Victor, now remade with a funky fresh attitude, Gnómico's own rap verses and Mr Victor himself singing its signature chorus.

ECUADOR: Plan Arteria
Da Culkin Clan - Sometimes You Make Love
From the city of Cuenca, Da Culkin Clan represents the most weird and experimental contemporary hip hop of the country. Their lyrics and music are a bunch of random, powerful and creative ideas - a mixture of carnival and fiction figures. From debut album Special Dark, we present its first single, Sometimes You Make Love.

GREECE: Mouxlaloulouda
Babis Papadopoulos - Spring
Babis Papadopoulos blends the organic nature of Greek traditional folk music, rhythms rich with contemporary elements and avant-garde jazz and succeeds in creating a sequence of lush, varied and nostalgic tracks. Spring, the splendid first preview from his forthcoming album, Joy In Pain, Pain In Joy, is dominated by a delicate, recurring melody in bouzouki, mournful violins, a broody viola and the warm restlessness of his guitar.

INDONESIA: Deathrockstar
Barokka - Barapantura
Dangdut Koplo is one of the most famous electro genres in the shady underground clubs of Indonesia. This trashy dance anthem was created by the guy behind Dubyouth as an introduction.

IRELAND: Hendicott Writing
SPIES - Moosehead
Hyped up by authorities as hefty as The Guardian and NME, Dublin's SPIES are widely seen as the city's next big thing. Moosehead is the latest of their slow to emerge singles, released on the band's own Trout Records label. Leaning on the same glorious desolation that fronted Factory Records' world-renowned soundscapes, it's a jittery, dingy piece of indie-rock that brings atmospheric depression up to date. Think social awkwardness meets Interpol, and put a hefty bookmark on this space.

ITALY: Polaroid
Klam - Mess With The Best, Die In A Nuclear Test
On the cover of Bleak, the debut album by Klam, there is a foggy road, a city in the shadow, a storm seems to be approaching. It's a perfect introduction to the sound of the band: dark shoegaze with post-punk sharp edges. They can create hazy clouds of feedback, but they can also write vibrant and trembling songs like this one.

JAPAN: Make Believe Melodies
Toyohirakumin - Cliff
If the term 'vaporwave' gives you chills, either turn back now or try to think beyond whatever concepts of the internet microgenre you have. Toyohirakumin makes music that is often filed as - and in some cases sounds like - vaporwave, but Cliff is far more than an exercise in aesthetics. It is a slow burner, and a minimal one at that, but a compelling throbber from a promising Japanese producer.

MALTA: Stagedive Malta
Fastidju - Kukkuzejt
Fastidju was born when Nigel Baldacchino (essentially a non-musician) started conceiving vague sung melodies and aural structures for existing pieces of writing compiled for the exhibition, Sajda, in 2012. Nigel started seeking collaborations with electronic producers he admired, such as Istishhad Hheva and Cygna, to provide flesh to his musical skeletons. An album was devised and a band took on the task of developing some of the structures - and even creating new songs. Cygna ultimately ended up being the main crucial guiding light in the final studio phase.

MEXICO: Red Bull Panamérika
Pumcayó - Don Jacinto
Hailing from Guadalajara, Pumcayó is a band that weaves their region's folkloric heritage, with patterns found on Grizzly Bear or Fleet Foxes' music. Following a Kino-Pravda aesthetic - as in Dziga Vertov's Soviet documentary from the 20s - the video for the song Don Jacinto follows the semi-industrial art of making colourful papercrafts, a simple decor in Mexican celebrations with a beautifully complex craft.

PERU: SoTB
Mind Black - Cocaine
Mirella Bellido is the songwriter and lead singer of Mind Black. These Days is her debut five-track EP that moves through different emotions such as anxiety, perversion, obsession and regret. Mind Black, as defined by its creator, is a balance between the emotional and rational.

PORTUGAL: Posso Ouvir Um Disco?
A Jigsaw - No True Magic
Coimbra band A Jigsaw are back with a new album, No True Magic. Jorri and João Rui, the two members of the folksy alternative band, invited Carla Torgerson (The Walkabouts) to join them on vocals for one of the tracks, Black Jewelled Moon. They also produced the record, which will find new fans in those who appreciate artists such as Tindersticks, Leonard Cohen or Tom Waits.

PUERTO RICO: Puerto Rico Indie
Los Vigilantes - Ahí Ya No Estoy
After an exhaustive and intense European tour, garage-rockers Los Vigilantes returned to Puerto Rico with a new record under their belt. Aptly titled Al Fin (At Last), it perfectly showcases the band's brand of melodic surf punk: both infectious and melancholy, it makes your bones rattle, a bit from pain and a bit from joy. Los Vigilantes recently shared a video for the record's second single, Ahí Ya No Estoy, in which a scorned lover wills himself into feeling hopeful for the future with a little help from his friends, cheering us all up in the process. Dance those blues away with Los Vigilantes.

SCOTLAND: The Pop Cop
Billy Jeffrey Jnr - Eternal Blue
Billy Jeffrey Jnr's debut album, Eternal Blue, received modest attention when it was released in early 2014 but - thanks to the power of word-of-mouth and mesmeric live performances - it continues to gain the Glasgow songwriter a host of new fans and followers with each passing week. Possessing the same otherworldly quality as Bon Iver, it is a record full of elegant moments, with title track Eternal Blue being a personal favourite. 

SOUTH KOREA: Indieful ROK
We Hate JH - 20
Emo/power-pop band We Hate JH made the finals of this year's edition of the foremost South Korean rookie competition, Hello Rookie. A brand new single will be out very soon, but 20 is the charming and extremely likeable opening track off the official debut EP Officially, We Hate JH released earlier this year.

SPAIN: Musikorner
Role - Shrine II
Role are a four-piece from Madrid whose sound is influenced by dream-pop, trip-hop and even art-rock. They have played live at Valle Eléctrico, one of the most important experimental electronic club nights in Spain, and their first album is due to be released in the first quarter of 2015.

UNITED STATES: We Listen For You
Jenna Dean - Blown
Funk-based hip hop is alive and well in the form of this brilliant track from Jenna Dean. Smooth guitars open into a locked groove that swarms around a controlled lyrical outpouring. It's a song that builds and builds, never letting the listener down.

12 de novembro de 2014

Os melhores discos portugueses de... 2013

Antes que comecem a proliferar as listas de melhores lançamentos de 2014, resgatamos uma publicação dos nossos parceiros portugueses do blog Bandcom. No início deste ano eles listaram aqueles que foram, na opinião dos membros da equipe do blog, os melhores discos portugueses de 2013.

TOP 25 LP's PORTUGUESES DE 2013

25. Caress Transgress, por Joaquim Barato, El Vals del Conejo



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Para este escriba, "Caress Transgress" está no pódio de melhores discos nacionais do ano que acaba de findar; a explicação para isso é simples: o disco de Joaquim Barato é ousado nas abordagens que faz quer à dream-pop mais clássica de nomes como Galaxie 500, quer ao shoegaze de perfil mais psicadélico digno de uns Spacemen 3 quer ao pós-roque instrumental que tem dominado o movimento pós-00’s. É irreversível não pensar em "Caress Transgress" como um disco disperso, que trata de assuntos diversificados em uma dezena de temas, mas a proeza em o esculpir numa única peça, incólume, só tem de merecer os nossos louvores. Venham mais discos destes, Joaquim.
Emanuel Graça

24. Manuel Fúria Contempla os Lírios do Campo, por Manuel Fúria e os Náufragos, Amor Fúria



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"Manuel Fúria Contempla Os Lírios Do Campo", um trabalho desenhado à figura do próprio, que apesar de não surpreender, também nunca desilude sobre a sua imagem de trovador contemporâneo, sendo isso que o coloca no topo. Com o selo da Amor Fúria e numa sonoridade que se aproxima da vertente trabalhada pela Flor Caveira (não fossem as duas editoras tantas vezes trabalhar em parceria), destaca-se a importância do cuidado existente em seleccionar cada palavra para um encaixe no limiar da perfeição, naquilo que pode ser entendido quase como a doutrina da estética poética. Érico Veríssimo ficaria satisfeito com a referência homónima.
João Gil

23. Inorganic Heartbeats & Bad Decisions, por Gobi Bear, Murmürio Records



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Gobi Bear, nome artístico de Diogo Alves Pinto, já nos tinha dado o aviso no ano passado que tinha potencial para ser um caso sério da música portuguesa. A promessa nasceu com a edição do seu primeiro EP, consolidou-se em "Mais Grande" e, finalmente, cumpriu-se em "Inorganic Heartbeats & Bad Decisions". Com mais aprumo de estúdio, mais trabalhado na sua componente electrónica e sempre com a sua belíssima voz, vê-se em Gobi Bear aquilo que hoje cimenta, por exemplo, Noiserv como uma das mais valias para a música nacional: o presente já cumpre, mas o futuro pode vir fazer com que a promessa de Gobi Bear se cumpra ainda mais.
Emanuel Graça

22. Sorriso Parvo, por J-K, Monster Jinx



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"Sorriso Parvo" é o terceiro trabalho do artista J-K, uma viagem sagaz de 13 faixas, onde são narradas reflexões do seu dia-a-dia, histórias de romances desfeitos e os dramas das patologias sociais. Munindo-se da sua crueza poética, resultando em textos genuinamente portugueses acompanhados por um instrumental leve e coeso, "Sorriso Parvo" está intenso, denso e consegue conjugar os ingredientes certos para criar um universo que certamente irá deliciar alguns ouvidos.
João Ribeiro

21. Se Amanhã Não Chovesse, por Cochaise, Ed. Autor



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Não sei se "Se Amanhã Não Chovesse" é melhor que "Mini Homónimo"; é certamente tão bom como conceito, e sobretudo diferente. Cochaise é sem dúvida um diamante (não diria em bruto, mas com algumas arestas por lapidar) que facilmente pode cair em esquecimento, pela sua distância em relação onda de estilos emergentes com mais sucesso comercial. Isso é algo que me assusta, porque quero ouvir mais desta excelente banda.
Hugo H.

20. The Wolf, por When The Angels Breathe, Raging Planet



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Artista multifacetado, David Francisco dá também a cara ao projeto individual When The Angels Breathe no qual consegue expressar, sem ajuda externa, o seu lado selvagem, os seus medos, o seu ser. Como ele, as guitarras seguem a sua liberdade, as suas incoerências e as rajadas mais violentas. Há magia nas guitarras, e em quem as alimenta.
Mickaël C. de Oliveira

19. Mogul de Jade, por Norberto Lobo e João Lobo, Mbari



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Não é novidade nenhuma que Norberto Lobo é o mestre na guitarra. Desde "Pata Lenta" (2009) que tem demonstrado a sua qualidade não só como compositor, mas também como trovador que não precisa de uma voz para captar o público e brilhar. Desta vez fez-se acompanhar de tendências mais elétricas e do irmão João Lobo na percussão e o resultado é "Mogul de Jade", com todo o experimentalismo no seu som habitual a resultar. Algumas tendências psicadélicas surgem de surpresa nas faixas, não dando hipótese ao ouvinte de prever o que acontecerá no segundo seguinte. É uma das pérolas de 2013, pela surpresa e diferença que Norberto Lobo e João Lobo nos trazem. E o melhor de tudo é que Norberto, mesmo continuando a atuar sozinho e ter de adaptar as novas músicas a essa condicionante, continua a fazer tudo a soar incrivelmente bem.
João Gil

18. Gisela João, por Gisela João, Valentim de Carvalho



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Mal se ouve o disco de estreia desespera-se por um sucessor. As interpretações de temas perdidos do fado que destrói representam o lado menos bom do regresso ao passado que Gisela João faz parecer um exercício de futurismo e inovação ao ser tamanhamente camaleónica. De resto, rezemos para que Gisela não nos emocione, nos tire da montanha-russa do seu timbre e não tenha tanto de surpreendente e genuíno para nos dizer ou para nos levar a descobrir. Por mais que se tente, isso nunca, nunca acontece.
André Gomes de Abreu

17. The Misadventures of Anthony Knivet, por First Breath After Coma, Omnichord Records



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A banda natural das terras do Lis figura nas revelações do ano. A sua base de composição musical parte do post-rock e daí diverge para os campos do pop. Os homónimos do tema dos Explosions in the Sky evoluíram de uma simples banda de covers para um grupo que cada vez mais, vai reunindo uma legião de fãs que agora prestam culto a um disco sublime. Disco esse onde são musicalmente narradas as aventuras de um explorador inglês. Por entre sufrágios, estórias e histórias este disco constitui uma lufada de ar fresco, um banho de éter para o panorama musical português.
João Ribeiro

16. Sinhajara, por Lululemon, Optimus Discos



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Se o trio do Vale da Cambra editar todos os anos um LP do valor de "Flying Fortress" e de "Sinharaja", vamos muito rapidamente ter de reconsiderar melhor esta banda e dar-lhe o lugar que ela merece nos tops nacionais, muito mais acima. Se admito não ter muito sentido a tropicalidade neste disco - se pusermos os nomes dos temas de lado -, o que é certo é que osLululemon têm a sua originalidade, o seu nicho, harmonioso e aconchegador. Um disco para as noites de amor, ou de melancolia.
Mickaël C. de Oliveira

15. Dreams About Dying in California, por Elektra Zagreb, Ed. Autor



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Encabeçado agora por Luís Vieira, o grupo Elektra Zagreb segue as linhas do pop-rock e do surf-rock com resquícios da dream-pop. O seu último trabalho possui uma harmonização de elementos bastante coesa: denota-se um amadurecimento na concepção deste disco em que durante a sua audição há claramente uma aproximação entre o público e alma da música pela constante presença física dos instrumentos e das vocais. Neste trabalho há momentos Nympho Boyz de tranquilidade inspirada pela lo-fi dos pioneiros do género, Pavement. Mas também há espaço para temas mais mexidos com ruídos distorcidos provocados por guitarras angulares a invocar a noise-pop em "Bloody Hands".
João Ribeiro

14. Casulo, por Márcia, Valentim de Carvalho



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Casulo, o segundo disco da carreira de Márcia Santos, demonstra facilmente que um bom disco faz-se sempre de boas canções. Estamos a falar de um registo heurético e inventivo com pouco mais opções do que harmonias cristalinas pop/folk tecidas por palavras calculadas e sentidas. Sobretudo para os mais cépticos com a recordação de "Cabra Cega" e/ou de "A Pele Que Há Em Mim", estão aqui vários temas que colocam no seu devido lugar os pormenores que agigantam qualquer canção. Surpreendente, é essa a palavra-chave.
André Gomes de Abreu

13. Taxi Ballad, por Dear Telephone, PAD



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De volta desde 2011, Dear Telephone deu uma clara continuidade a "Birth of a Robot" com este "Taxi Ballad". Com um estilo muito próprio e consistente. Consistência é a palavra. A fazer lembrar dEUS de quando em quando, com uma nudez musical aliada à precisão e determinação nas músicas e me faz sempre pensar algo como: “eles sabem exactamente o que estão a fazer, só tenho que me encostar e ouvir, quer goste quer não goste”.
Assim continue, e que não demorem mais dois anos.
Hugo H.

12. peixe:avião, por peixe:avião, PAD



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Os peixe:avião trouxeram inovação sem medo. O álbum homónimo demonstrou que o risco de tomar caminhos que nem sempre agradam a todos os ouvidos vale a pena. Afinal, existem mais pessoas que querem descobrir o som do que aquilo que se pensa, e este coletivo de Braga é uma presença obrigatória na ementa. A base sonora com que compuseram "Madrugada" (2010) está presente, desta vez com uma maior carga de ruído e distorção saudável. Este disco é também um dos motivos pela qual a PAD pode fechar o ano com balanço positivo.
João Gil

11. Oito, por Octa Push, Senseless Records



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"Oito" é talvez o disco eletrónico português mais abrangente do ano. Afro-beat, claras influências londrinas, temas acessíveis e dançantes, e pérolas de sincretismos como no tema onde aparece Braima Galissá. Uma das forças de "Oito" reside justamente na escolha acertada dos colaboradores: Alex Klimovitsky, que como eles também passou pela Enchufada, Catarina Moreno, estrela luso-descendente em ascensão pelo UK, entre outros. Com este disco, os Octa Push finalmente conseguiram convencer toda a gente e prometem pintar com a sua originalidade a música portuguesa por muitos anos.
Mickaël C. de Oliveira

10. Leeches, por The Glockenwise, Lovers & Lollypops



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O garage-rock em Portugal está de boa saúde e recomenda-se. The Glockenwise é mais uma banda talentosa vinda das terras férteis do norte do país, que em 2013 realiza um óptimo álbum sucessor de "Building Waves" onde a intensa e pujante sonoridade jovem é uma constante como o estilo de São Francisco o exige.
João Ribeiro

9. O Grande Medo do Pequeno Mundo, por Samuel Úria, Flor Caveira



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2013 ficou marcado, naturalmente, pela prolongada sabática de um ano de Bernardo Fachada e quem tomou o seu habitué trono de rei da cantiga nacional foi, inevitavelmente, Samuel Úriacom "O Grande Medo do Pequeno Mundo": música de esqueleto pop, enraizada na americana e na própria canção nacional, o segundo disco de estúdio do cantautor lisboeta com inúmeras colaborações, desde Manel Cruz, líder dos extintos Ornatos Violeta, até a António Zambujo e promete-nos que mais que um cantor do e para o presente, Samuel pertencerá, certamente, ao nosso futuro.
Emanuel Graça

8. Roma, por JP Simões, Cultura FNAC



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À medida que a carreira a solo do ex-Belle Chase Hotel cresce, os elogios que se lhe podem tecer parecem cada vez causar menos impacto e mais respeito. Não que o caminho seguido seja substancialmente diferente, mas o desafio é resistir a tanto charme lírico e mundial. É a capitalizar de forma irrepreensível o que fica por dizer por vezes com tão poucas perspectivas sobre os mesmos temas que Roma assenta bem a todo o tipo de ressaca de um bom português, ou simplesmente de um bon vivant.
André Gomes de Abreu

7. Mynah, por JUBA, Pontiaq



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Uma das surpresas deste ano com um "Mynah" cheio de ambiências e referências shoegaze edream-pop que nos levam a trilhos desbravados (nem por isso sem qualidade), mas também com passagens muito originais e pouco vistas e uma composição e inserção de componentes refrescantes para o ouvido. Deixam muito a desejar, no bom sentido, claro.
Hugo H.

6. Odyssea, por indignu, Honeysound



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Os indignu marcaram 2013 com um dos trabalhos mais ambiciosos ao nível do post-rocknacional. Mais que a viagem conceptual onde cada melodia ocupa um patamar necessário e nada pode ficar de fora, Odyssea permite-nos ser essa própria aventura. A simbiose artista-ouvinte é o sentido de toda a música e os indignu conseguiram tirar proveito disso e torná-lo ainda mais evidente. Destaque não só para todo o ambiente criado, mas também para o modo como o violino é introduzido ao longo das várias faixas, permitindo criar um trilho sonoro que nos guia ao longo de toda uma história.
João Gil

5. Cabeça, por Filho da Mãe, Lovers & Lollypops



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Todos sabemos, ou devíamos saber, que Portugal é uma província propensa a ter mestres na arte de tocar guitarra; essa ideia ganha força quando pensamos em nomes como Carlos Paredes ou até mesmo Zeca Afonso. Hoje em dia, é quase irreversível não nos vir à memória os nomes de Filho da Mãe, nome artístico de Rui Carvalho, e Norberto Lobo. "Cabeça", o mais recente trabalho de estúdio de Filho da Mãe, cuja edição foi carimbada pela barcelense Lovers & Lollypops, só veio confirmar de um modo mais sólido aquilo que em 2011 "Palácio" prometera: Filho da Mãe é mesmo um guitarrista estrondoso que se serve das suas almas (a sua e a da guitarra) para chegar à nossa. A destreza no seu dedilhar clama por respeito e admiração, a agilidade de que se serve faz-nos crer é desumano, mas a verdade é que músicas desprovidas de qualquer sílaba raramente nos conseguem dizer tantas coisas ao mesmo tempo. Palavras para quê?
Emanuel Graça

4. Vem Por Aqui, por Ermo, Optimus Discos



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A dupla bracarense terá sido uma das maiores revelações em 2013 após lançar o seu primeiro trabalho como longa-duração. "Vem Por Aqui" prima sobretudo pelo seu elevado teor de originalidade estética que, apesar de não encaixar nos cânones, acabou por lhe valer a entrada para muitos dos tops de 2013. Os intervenientes, António Costa e Bernardo Barbosa, demonstraram uma elevada sapiência no que diz respeito à composição musical e às virtudes humanas fazendo deste disco um documento histórico intemporal que conjuga de uma forma quase profética a poesia arquetípica munida de uma composição lírica exímia com electrónicas abstractas minimalistas.
João Ribeiro

3. Homem Elefante, por Riding Pânico, Raging Planet



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O regresso dos Riding Pânico em 2013 mostra uma face mais disruptiva da banda mesmo que esta se tenha mantido na salubridade instrumental. Mais melodiosos mas também mais caóticos, em "Homem Elefante" reflectem duas faces difíceis de conjugar: uma forte coesão lado a lado com uma acutilância que satisfaz num certo tipo de rótulo post-rock em que ainda se possam encaixar. Claramente um dos registos do ano sob qualquer perspectiva.
André Gomes Abreu

2. A.V.O., por Noiserv, Ed. Autor



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É já uma marca da música portuguesa, com o seu estilo muito próprio, e as suas melodias etéreas e progressivas. Se lhe faltava qualquer coisa, era definitivamente este "Almost Visible Orchestra". Veio calar os cépticos (como eu, confesso), e mostrou que vale mais do que loopsbem construídos e uma voz ambiente harmonizante. Mostrou uma variedade na composição melódica que dá uma força maior ao seu trabalho que se continuar, com certeza abrangerá um público ainda maior nos tempos vindouros.
Hugo H.

1. Turbo Lento, por Linda Martini, Universal Music



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Será este o disco que vai definitivamente abrir aos Linda Martini as portas da internacionalização? Acreditamos que sim. Quando muitos criticavam "Turbo Lento" antes de ele estar nos escaparates, o grupo demonstrou mais uma vez que é uma das melhores bandas que o nosso país viu nascer. Lá fora, infelizmente, poucos serão aqueles que o consideram assim.
Sun Glitters disse-me há algumas semanas que não entendia porque é que os Linda Martini não se exportavam. Disse-lhe que, quando não se canta fado, a língua portuguesa acaba por ser um sério entrave. E ele respondeu-me acertadamente: no caso deles, a língua portuguesa não incomoda, muito pelo contrário. O que confirmei depois de ter pensado mais tempo sobre o assunto. E também participa na seriedade que se desprende do disco, na raiva interventiva que contamina qualquer um, pouco importa a nacionalidade. Porque para os Linda Martini, o mais importante talvez seja que o público sinta neles a força da sinceridade, com ou sem letras, com ou sem língua portuguesa.
Mickaël C. de Oliveira


TOP 10 EPs PORTUGUESES DE 2013

10. Life Aquatic, por Long Way To Alaska, PAD



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Haverá sempre quem diga que os Long Way To Alaska não inventaram nada. Os mesmos que talvez os glorificavam se tivessem sido estrangeiros. A verdade é que os bracarenses continuam a sarapintar o panorama da música nacional com os seus apelos à proteção da natureza, à comunhão com ela. E desta comunhão podia muito bem nascer uma participação numa banda sonora de um filme cheio de verdura com selo Sundance Festival. E aí sim, os LWTA iam convencer os mais reticentes.
Mickaël C. de Oliveira

9. Este Inverno, por Main Dish, Ed. Autor



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"Este Inverno" é o mais recente EP de Luís Miguel Vieira que a partir da sua hábil guitarra e de uma panóplia de samples que dão forma ao instrumental constrói um inverno que nasce na montanha e vem desembuchar-se na cidade. Neste seu mais recente trabalho esquecemos a componente lo-fi que invadia as suas sonoridades. Há indubitavelmente um novo registo, uma evolução que torna as suas canções mais acessíveis às massas. No entanto, não esquece a sua essência, o pós-roque, mantendo-se fiel à sua identidade apesar da transformação.
João Ribeiro

8. (II), por Capitão Capitão, Azáfama



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Deram-nos "II" sob a forma de I EP. “Queremos um disco!” digo eu.
Tanta qualidade em "II" deixou-me inquieto e soube-me a pouco.
Foi um EP que não soou a antecipação de disco: soou a algo experimental. Merecem uma vénia por tamanho risco.
Agora, se algo experimental soa assim, como será um disco pensado do início ao fim, e trabalhado com outra minúcia? Com a sensibilidade e unicidade demonstradas neste último EP? Genuinamente ansioso.
Hugo H.

7. Salvation, por PURPLE, Wedidit Collective



Adoptado pelo Wedidit Collective de Shlohmo, o agora radicado em Londres PURPLE já nos tinha dado em "Violence", disco do ano passado, perspectivas muito interessantes sobre o que experimentar com hip-hop e R&B na aproximação à witch-electronica perfeita Terrain Ahead-like.
No EP "Salvation", toda esta neblina "dronítica" adensa-se, compacta-se, consome-se num punhado de canções absolutamente incríveis e egoisticamente aconchegantes, recheadas de pequenas frases mais ou menos distorcidas ou trinadas. E não se esqueçam dos videoclipsfantásticos. Adeus Tricky, adeus The Weekend, adeus Burial.
André Gomes de Abreu

6. dreamweapon, por dreamweapon, Ed. Autor




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Os Dreamweapon são, possivelmente, a banda mais inesperada que Portugal podia ver nascer numa altura destas: são herdeiros da herança britânica do pré e do pós nascimento do shoegaze, são filhos bastardos (no sentido positivo, claro) dos The Jesus and Mary Chain e amantes da nova colheita psicadélica que por aí anda. "dreamweapon", registo de estreia, traz-nos a melhor das promessas: estes senhores já são gigantes, mas quando editarem o seu primeiro LP duvido que não sejam ainda maiores.
Emanuel Graça

5. Future, por IVVVO, Public Information



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Porquê fazer electrónica e não congelar os dedos? É uma questão a que "Future" responde como poucos (embora assinaláveis em Portugal) exemplos poderíamos dar. Quantidade e qualidade não parecem estar assim tão distantes se falamos do trabalho incansável de Ivo Pacheco com uma label, a Terrain Ahead, que está a dar passos de preparação para o seu grande salto.
Em "Future", o que interessa é que ainda exista um pedaço de existência por nós que se deixe afectar pelo techno e rave enviesados. Não é UUUU, mas sim "woo woo woo". Adaptemo-nos aIVVVO, porra.
André Gomes de Abreu

4. TORTO, por TORTO, Lovers & Lollypops



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"TORTO" foi mais uma surpresa, não por ser algo novo, mas pela maturidade e consistência do primeiro trabalho e porque não caiu na tentação de ser lo-fi. É um torto muito hi-fi, com um EP na linha da Lovers & Lollypops, mas, arrisco, uns pontos acima da média. É provocador, muito provocador, não deixa ninguém indiferente, e tem qualidade, tanto sonora como de execução.
Hugo H.

3. JIBÓIA, por JIBÓIA, Lovers & Lollypops



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Óscar Silva dá-se, no mundo da música, pelo nome de JIBÓIA. Porquê? Porque, muito basicamente, nos mete a “jiboiar” com a sua mesa electrónica. Editado pela Lovers & Lollypops, o seu primeiro registo de estúdio é também ele uma promessa, contudo uma promessa peculiar: não se trata de um disco que nos assegura de um valor para o futuro, trata-se de um disco que nos assegura um valor em palco. E quando assim acontece para quê estar com meios rodeios?
Emanuel Graça

2. Memoirs Of A Secret Empire, por Memoirs Of A Secret Empire, Ed. Autor



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Os Memoirs Of A Secret Empire demonstraram com este EP que tudo era possível: vir da Vouzela e chegar até ao brilhante Black Sheep Studio, criar músicas de 10 minutos que captam o ouvinte do primeiro ao último segundo e, sobretudo, emocioná-lo, paulatinamente, degrau após degrau. São também a demonstração de que Portugal tem nas suas mãos bandas de post-rockcomo se calhar nunca teve. Resta agora reconhecer-lhes o devido valor, antes que seja tarde demais...
Mickaël C. de Oliveira

1. Quelle Dead Gazelle, por Quelle Dead Gazelle, Ed. Autor



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Se só o título da primeira faixa do EP homónimo coloca as expectativas altas, tudo fica a valer ainda mais a pena quando entregamos a audição e atenção aos Quelle Dead Gazelle. Sem medo de arriscar em sonoridades que, próximas do math-rock, são aliadas a um ambiente psicadélico envolto em toda a atmosfera que daí advém, destaca-se sempre a aliança que a bateria tem com a guitarra eléctrica, em ritmos capazes de vingar tanto em disco como ao vivo.
João Gi