18 de fevereiro de 2018

Como fazer um mapa de palco (além de rider e input list)

Em 2013 fiz uma publicação indicando um site no qual era possível fazer mapas de palco para bandas de forma rápida e gratuita. Infelizmente, o site foi tirado do ar e deixou muitos músicos na mão. Para tentar suprir essa necessidade, publico abaixo alguns exemplos de mapas de palco (que não é nada mais do que um documento que indica o posicionamento dos músicos e seus respectivos equipamentos no palco), riders (lista dos equipamentos necessários no palco para realização do show) e input lists (lista que indica em qual canal da mesa de som cada um dos instrumentos/fontes sonoras deve ir).

Existem várias formas de apresentar graficamente o posicionamento da banda. Alguns artistas desenham até mesmo à mão, enquanto outros criam PDFs caprichados e com figuras tridimensionais. O importante é ser funcional. O mapa de palco não deve vir com sua foto e release, por exemplo (acredite, isso acontece). O ideal é uni-lo ao rider, input list e mapa de luz (caso tenha um). Esse material será importante tanto para o contratante do show (que precisa saber exatamente qual a estrutura necessária para a realização da apresentação) como para a equipe que irá efetivamente montar o palco para que a performance seja realizada. Tenha em mente que é um material que deve funcionar bem se for impresso em preto e branco (raramente alguma equipe técnica irá imprimir seu mapa colorido) e também na tela do celular (aquele clássico recorrente, quando você enviou todo o material para o contratante mas nenhum técnico da casa de show recebeu e você precisa mostrá-lo na hora da passagem de som, pelo próprio celular).

Enviar os arquivos sempre em PDF evita que alguma informação seja excluída sem querer por parte da equipe do contratante de show. Para preparar o seu material técnico (mapa de palco, rider e input list) você pode se basear nos modelos abaixo, exemplos para saber como outros artistas apresentam suas necessidades técnicas.

Exemplos de mapa de palco




A segunda imagem é um exemplo de mapa e rider unificados, de uma banda que não possui seu próprio técnico de som e por isso não tem um input list preparado. Para esse último exemplo de mapa, acima, rider e input list são esses:

RIDER
- Bateria com bumbo, pedal de bumbo, estante de caixa, uma estante de prato, máquina de chimbal, um tom e banco (repare que nesse caso ele não usa surdo e tem poucos pratos).
- 1 amplificador de baixo Ampeg SVT-2PRO ou 3PRO through 4x10 ou 8x10 - ideal)
- 2 amplificadores Marshall JCM 800 ou 900
- 2 microfones para voz
- 2 direct box
- 3 suportes de guitarra
- 5 monitores

INPUT LIST
1 bumbo
2 caixa (superior)
3 caixa (inferior)
4 tom
5 over (ambiência)
6 Baixo DI
7 Baixo (mic)
8 Guitarra 1
9 Guitarra 1 DI
10 Guitarra 2
12 Vocal 1
13 Vocal 2

Esse é um caso de banda que usa poucos canais da mesa de som e tem um input simples, além de não especificarem canais de monitores ou marcas dos outros equipamentos. Um exemplo de input mais completo é este abaixo, de um quinteto.




Você também pode fazer o download de mais alguns exemplos de mapas de palco, riders e input lists para ter mais referências..

28 de janeiro de 2018

Primavera Sound 2018 divulga programação (e tem Brasil nela!)

O Primavera Sound, um dos melhores festivais do mundo, soltou neste domingo (já segunda-feira lá na Espanha) sua programação para este ano. A lista é imensa e tem nomes como Arctic Monkeys (que lança disco novo em breve), Nick Cave and the Bad Seeds, Björk, The National, Fever Ray, trilha sonora de Stranger Things ao vivo, Spiritualized... e Metá Metá! O festival de Barcelona será realizado entre 28 de maio e 3 de junho. A edição portuguesa do festival, Nos Primavera Sound, será entre 7 e 9 de junho no Porto e ainda não tem programação divulgada, mas é sempre uma versão reduzida do line-up do evento espanhol. Edições prévias do festival tiveram outros artistas brasileiros na programação principal, como Caetano Veloso, Elza Soares e Seu Jorge (tocando David Bowie), além de artistas da cena indie nos palcos menores, como Câmera, Quarto Negro, O Terno e Water Rats.


16 de novembro de 2017

Popload Festival 2017: PJ Harvey pegando um bronzeado, Phoenix na balada, Ventre e Carne Doce mostrando a força do indie BR


Criado em 2013, o Popload Festival já nasceu sendo um dos mais interessantes eventos musicais do país. Desde seu surgimento, trouxe ao Brasil artistas como Iggy Pop, Wilco, Tame Impala e Cat Power ao lado de brasileiros como Cidadão Instigado e Céu. Desdobramento do site (ex-coluna) de mesmo nome e principal veículo sobre música indie no Brasil, neste ano teve como atrações principais PJ Harvey e Phoenix, além das ótimas Ventre e Carne Doce, ambas brasileiras, Neon Indian e Daughter.

PJ Harvey atendeu às expectativas com o melhor show da noite. Passaram-se 13 anos desde sua primeira vinda ao país, quando tocou no Tim Festival (na mesma edição em que tocaram Kraftwerk, Brian Wilson e Primal Scream), e seus dois shows por aqui dificilmente poderiam ser mais distintos entre si. Em 2004, fez um show pesado, enérgico e distorcido acompanhada de um trio de bateria, baixo e guitarra (tocada pelo mini-Frusciante Josh Klinghoffer, atualmente no Red Hot Chilli Peppers). Agora, em 2017, são 10 músicos no palco (entre eles os colaboradores de longa data Mick Harvey, que também toca com Nick Cave desde o Birthday Party, e John Parish, com quem PJ tem dois discos lançados em parceria, além de Alain Johannes, que foi do Eleven, Queens of the Stone Age e Them Crooked Vultures) para construir um clima soturno, politizado e musicalmente mais complexo. A atual turnê estreou em 2016 no Primavera Sound, em Barcelona, e é focada nos dois discos mais recentes de PJ, The Hope Six Demolition Project, de 2016, e Let England Shake, de 2011. Se nos dois primeiros shows da turnê o clima sombrio, cheio de sopros e percussão minimalista assustava (depois de Barcelona, também vi o show dela no Nós Primavera, em Porto, Portugal, e em ambos as reações da plateia foram parecidas), o público brasileiro chegou preparado para a atual fase de PJ e recebeu em troca uma banda ainda mais afiada, de performance excepcional (e em dose dupla, já que na noite anterior ela se apresentou em um teatro de São Paulo em uma ação social do festival que beneficiou doadores de sangue e pessoas que exercem trabalhos junto a ONGs parceiras do Popload Festival).

O show começou em estilo banda marcial com todos os músicos entrando enfileirados (PJ entre eles, empunhando seu saxofone), ao som de "Chain of keys", a pesada "The Ministry of Defense" e o single "The Community of Hope" (um dos poucos momentos "pop" do show), nessa sequência. Depois da roqueira "Shame", uma das melhores do disco Uh Hu Her, de 2004 (e única dele no set), PJ emendou uma série de canções do Let England Shake (com o qual ganhou o Mercury Prize pela segunda vez) e duas do calmo White Chalk, de 2007: "Dear darkness" e "White chalk". A música mais antiga (e barulhenta) do show foi a punk "50 ft Queenie", do álbum Rid of Me, de 1993, seguida no show dos hits "Down by the water" e a blueseira desértica "To bring you my love", de 1995, para encerrar com "River anacostia", do disco mais recente, canção sobre a poluição das águas que tinha seu sentido reforçado ao ser tocada a menos de 2km do Rio Tietê.



De escalação aparentemente deslocada e anacrônica ("quem ainda ouve esses caras?", pensei quando saiu a programação), a francesa Phoenix fez um show bastante animado e que funcionou bem como encerramento da noite. É aquele indie pop que explodiu mundialmente há quase 10 anos e que hoje em dia é um pouco brega, um pouco música de publicitário, um pouco balada de playboy que quer ser minimamente descolado. Mas são extremamente bons no que fazem, o pacote completo de entretenimento do rock pop mundial com muitas luzes, pressão sonora e performance ensaiada bem ao gosto do público instagramer. Além dos megahits "Lisztomania" e "1901" e de hits como "Trying to be cool" e "Lasso", músicas novas como "Ti amo" e "J-boy" funcionaram bem ao vivo.



Mais cedo, sob o sol de mais de 30º que castigava o público, os americanos do Neon Indian abriram o festival para um público pequeno que enfrentou o calor pra conferir o synth-pop oitentista hipster da banda. Ainda sobre um sol de matar, o trio carioca Ventre, sem dúvida uma das melhores bandas ao vivo atualmente em atividade, fez seu habitual show sujo e melódico, algo próximo do The Dead Weather misturado com Los Hermanos. Começaram com "Quente" (não por acaso) e fecharam com "Pernas". Se o segundo disco da banda, atualmente em produção, conseguir se aproximar da pressão do show, é certeza de um grande disco à caminho.

Outro nome frequente nos festivais de rock nacionais, o Carne Doce também fez um bom show e deixou claro, mais uma vez, não se tratar de um simples hype. A banda tem construções melódicas interessantes e letras pungentes. É dos raros casos no indie nacional em que os vocais são tão bons quanto o instrumental da banda (nesse caso, ambos excepcionais).

O público, que mais tarde chegaria a cerca de 8 mil pessoas (segundo dados do festival), começou a crescer durante o show do Daughter. Quem perdeu Ventre e Carne Doce e chegou somente na hora da banda inglesa se deu mal, já que foi o show mais fraco do dia. Apesar de mais interessante ao vivo do que em disco, é uma banda genérica, pastiche de Florence + The Machine, Cat Power e outros nomes. Opção mais interessante era sacar as ofertas gastronômicas (aproveitando que, na maior parte do tempo, havia poucas filas) e fugir do sol na grama nas poucas áreas com sombra no Memorial da América Latina.

AlunaGeorge, da Inglaterra, foi a atração surpresa entre os shows da PJ Harvey e do Phoenix, com a brasileira Iza como convidada especial. Tudo o que tenho a dizer sobre esse show é que durante ele eu comi um ótimo sanduíche do Maní e experimentei um energético de tangerina da TNT.


Playlist com os sets da PJ Harvey e Phoenix no Popload Festival 2017

Ps: A foto que abre o post é do G1.

13 de novembro de 2017

Mini-doc sobre o Young Lights

Prestes a lançar novo disco, o Young Lights divulgou esta semana o mini-documentário Chasing Ghosts, registro de uma das turnês mais recentes da banda com trechos das gravações do novo álbum. No estúdio Ilha do Corvo, em BH, a banda conta um pouco sobre o processo de composição e gravação comandado por Leonardo Marques (produtor dos últimos discos do Maglore, membro do Transmissor e ex-guitarrista do Diesel). É o registro de um momento de mudança na vida da banda, que começou como um projeto solo do vocalista Jairo Horsth. A direção é do escocês Stuart McIntyre, que conheceu o Young Lights pela internet e se interessou em registrar um período de atividades da banda.

"Chasing Ghosts é dedicado a todas as bandas independente do Brasil, em especial aquelas que acreditam que a música é um caminho, uma verdade em si. Quando buscamos apenas reconhecimento o tombo é sempre maior e a essência se perde", diz Gentil Nascimento, baterista da banda. São 20 minutos de câmera na mão para criar um retrato do cotidiano de uma banda independente no Brasil atual.



Aproveito para publicar aqui os dois singles do Young Lights que foram lançados este ano e que mostram o que esperar do novo disco deles. "Understand, man" é favorita aqui faz tempos.



O Young Lights é uma das bandas com as quais trabalho na Quente. Antigamente eu evitava escrever por aqui sobre as bandas da Quente por questões éticas. No entanto, sentia falta de indicar essas bandas ao público, uma vez que decidi trabalhar com elas justamente por considerar que são boas e deveriam atingir mais pessoas. Assim, a partir de agora também vou falar sobre esses artistas e indicar que eles fazem parte da Quente, para melhor entendimento.