11 de setembro de 2017

Dias de Luta: o rock e o Brasil dos anos 80

No geral, poucas coisas geravam tão pouco interesse em mim como o rock brasileiro dos anos 80. Apesar de ter sido minha porta de entrada como consumidor de música (Vamo Batê Lata, dos Paralamas do Sucesso, e Domingo, dos Titãs, foram os primeiros produtos musicais que comprei, em K7, por volta de 96), desde a minha adolescência o rock nacional popular passou a representar aquilo ao qual ir contra. Era o sinônimo do padronizado, brega, óbvio. Aquilo que crescemos vendo na TV e queremos rejeitar. Chegar até Dias de Luta: o rock e o Brasil dos anos 80, escrito pelo Ricardo Alexandre, foi marcado por certo esforço para conhecer mais sobre um período marcado pelo meu desprezo pessoal e por uma curiosidade para tentar entender melhor como chegamos ao mercado musical brasileiro atual.

Para alguém como eu, nascido na segunda metade dos anos 80, um dos pontos altos do livro é contextualizar o cenário em que bandas como Paralamas do Sucesso, Titãs, RPM, Legião Urbana e Kid Abelha surgiram. Um período em que a música brasileira aos poucos vai se aproximando das tendências internacionais, o que na época resultou em fortes influências new wave e pós-punk. Um momento estranho (visto de longe) em que o que viria a se tornar o pop rock nacional era o estilo musical mais popular do país, onipresente em rádios e programas de tv (o que dos anos 90 em diante seria ocupado pelo axé, pagode, sertanejo e funk), e que tinha artistas iniciantes vendendo 10 mil cópias de seus singles e sendo considerado fracassos (comparados ao grande número de artistas que tinham vendas exorbitantes, acima dos 100 mil discos).

Um livro sobre influência da indústria cultural, ingenuidade, o início da decadência do Rio de Janeiro, a construção dos alicerces do mercado de rock no Brasil e da evolução da cultura pop no país. O momento em que jovens passam a ter maior peso como consumidores e a se verem representados nos palcos, com músicos também jovens, falando sobre temas do cotidiano que viviam e não medalhões da MPB de décadas passadas que pareciam inacessíveis e se esforçavam em parecer superiores.

1 de setembro de 2017

Fuji Rock 2017 e mais alguns rolês no Japão

O Fuji Rock é um festival de grandes distâncias em todos os sentidos. Do Brasil, são no mínimo 24 horas de viagem de São Paulo a Tóquio, embora a maioria dos voos leve entre 28 e 30 horas. Chegando em Tóquio, são necessárias mais duas horas de trem-bala para se chegar a Echigoyuzama, no noroeste do país. Lá, o festival oferece um ônibus por cerca de $5 para se chegar até a estação de ski, no meio da floresta, onde o festival é realizado (mais 50 minutos de transporte). O local é uma espécie de parque florestal gigante, no qual um campo de golfe é utilizado como área de camping e são montados mais de 10 palcos, sendo que os principais shows estão concentrados em quatro deles. Somente no principal, o Green Stage, a capacidade é de cerca de 50 mil pessoas, segundo a produção do festival. Da entrada do parque até o palco mais distante, Field of Heaven (também apelidado por alguns como "hippie stage"), são 30 minutos de caminhada. Tudo isso em pleno verão japonês, com picos de 35º.

Tanto esforço é justificado pelo line-up e pela experiência proporcionada pelo Fuji Rock. Este ano a programação teve Gorillaz, Björk, Aphex Twin, Queens of the Stone Age, LCD Soundsystem, Lorde, The XX, Major Lazer, Death Grips, Slowdive, Bonobo, Thundercat, Father John Misty, The Avalanches, Rhye, entre vários outros nomes. Sem contar os muitos artistas japoneses da programação, como o veterano Cornelius, o trio de jazz moderno Mouse on the Keys e o pop bizarro da Suiyoubino Campanella. Além disso, é um evento com uma lógica um pouco diferente da que estamos acostumados. Você pode entrar com comidas e bebidas à vontade e é comum os japoneses levarem carrinhos cheios de suprimentos. A grande presença de idosos e crianças também surpreende.


Todos os anos chove durante o festival e o figurino padrão é composto de galochas, capas de chuvas e chapéus de pescador. É proibido fumar na maior parte da área do evento (sim, um grande parque ao ar livre onde não se pode fumar), as lixeiras são espalhadas em pontos estratégicos e têm assistentes para indicar ao público como o separar corretamente para reciclagem e, como a maratona de shows é longa (as primeiras atrações começam às 9h da manhã e as últimas terminam às 6h do dia seguinte), os japoneses andam de um lado para o outro carregando cadeirinhas desmontáveis. As áreas mais distantes, em frente a cada palco, são sempre ocupadas por centenas (às vezes milhares) de pessoas com suas cadeirinhas montadas sobre a grama (ou lama).

A grande maioria do público é de orientais. No primeiro dia, Father John Misty brincou que os poucos gritos que ouvia eram com sotaque americano e pediu desculpas por seus conterrâneos não conseguirem assistir um show em silêncio. Show bonito e calmo, que começou com as quatro primeiras faixas de Pure Comedy na mesma sequência que no disco e que teve como ponto alto a sequência com "Hollywood Forever Cemetery Sings" e "I Love You, Honeybear".

Caminho para o palco Field of Heaven

Com a distância entre os palcos, foi preciso correr antes do fim do show pra pegar o The XX no início. Abriram com "Intro" e "Crystalised" e ali já ficava claro que aquele seria um dos shows mais legais do festival. Um pouco depois, em outro palco, começaria o Queens of the Stone Age, prestes a lançar disco novo. Com Josh Homme mancando, fizeram um show repleto dos hits da banda (como "I Sat by the Ocean", "No One Knows", "Little Sister", "Go With the Flow") e tocaram somente uma nova, "The Way You Used to Do". Durante outro hit, "Feel Good Hit of the Summer", Josh ainda tirou onda emendando um trecho de "Clint Eastwood", do Gorillaz, que começava seu show no palco principal. Era o primeiro show da banda de Damon Albarn no Japão desde 2001 e um dos mais aguardados do Fuji Rock. As participações especiais do disco novo foram substituídas por projeções sincronizadas dos vocalistas convidados nos telões (de resolução incrível, vale dizer). Deu pra pegar a sequência de "DARE", "We Got the Power", "Stylo", "Kids With Guns" e "Clint Eastwood". Som incrível e público feliz, apesar da chuva que caía de hora em hora. Madrugada adentro ainda rolariam muitos shows, entre eles DJs mais experimentais como Clark, Arca e o ótimo trio japonês Mouse on the Keys, de dois pianos e bateria.

Sábado foi o dia mais lotado do festival. Tanto que o acesso ao palco onde o LCD Soundsystem tocava foi impedido em certo momento, tamanha a quantidade de pessoas na área. Simultaneamente à banda de James Murphy, o Aphex Twin fez um show caótico e incrível no palco principal, durante a chuva mais forte do fim de semana. Um set de uma hora e meia que começou no tecno mais “acessível” e terminou na melhor barulheira glitch (meu show favorito do Fuji Rock). Outro show que impressionou foi o Death Grips. Pesado e denso, como era de se esperar, e muito cheio. Funcionaria melhor se fosse de noite dentro do galpão do palco Red Marquee e não durante a tarde, ao ar livre, mas mesmo sem a atmosfera ideal as pessoas não pareceram se importar. Ao longo do dia, decidi circular mais pelo festival e espiar os artistas japoneses e djs em pequenos palcos (como uma tenda com alguns DJs figuraças, mais velhos, na qual cabia menos de 100 pessoas). Conferi um pouco mais dos shows do Cornelius (cada música parece um show diferente) e Temples (pop psicodélico asséptico e genérico) e também teve Avalanches, Nina Kraviz, Mondo Grosso e Ramona Flowers (dos que estavam na minha lista "a conferir").



Do domingo, meus favoritos foram Björk, Suiyōubi no Campanella, Bonobo e Slowdive. Björk fez o show de encerramento do Fuji Rock acompanhada do Arca como DJ e uma orquestra. Com projeções enormes e mais climático (em grande parte pelos arranjos da orquestra), foi um show baseado no disco mais recente da cantora, Vulnicura (1/3 do set foi dele),  que empolgou efetivamente as massas cansadas de três dias seguidos de shows e caminhadas quando vieram hits como "Jóga", "Hyperballad" e "Bachelorette". Simultaneamente, Thundercat tocava no distante "hippie stage" e o Major Lazer fechava o White Stage (não vi nada desses shows). Logo após o show da Björk, principal atração do dia, grande parte do público começou a ir embora e, entre as muitas atrações que durariam madrugada adentro, a que parecia atrair mais gente era a Suiyōubi no Campanella (às vezes grafado como Wednesday Campanella). Apesar de ser um trio, a vocalista KOM_I se apresenta completamente sozinha no palco, sem DJs ou dançarinos. Defini-la como uma "Bjórk do J-pop" é reducionista, mas não chega a ser uma mentira, apesar de ficar longe de abranger sua sonoridade (que mistura muito rap, diversos subgêneros da eletrônica, música tradicional japonesa e pop eletrônico ocidental, às vezes tudo isso na mesma música).

Mais cedo, conferi brevemente enquanto Lorde lotava o palco principal durante uma versão minimalista do mega hit "Royals" (e bastante sonolenta, diga-se). Quase tão chato quando o show do indie superestimado Real Estate. Se deu muito melhor quem se programou pra ver os shows do Trombone Shorty & Orleans Avenue (dos mais animados do festival), a pedrada depressiva do Slowdive e a estreia do Bonobo acompanhado de banda no Japão. Enquanto o Jet tocava, mais divertido era assistir a versão japonesa do John Cusack discotecar jazz latino ou rodar pelo festival (em uma das tendas de roupas diferentonas, um casal já mais velho me explicou que tinham aprendido algumas coisas em português com um brasileiro professor de capoeira: "chapado de maconha" e "obrigado" era tudo que sabiam dizer).

Aproveitando o fato de que muitas pessoas que foram ao festival precisam passar por Tóquio em seus caminhos de volta (por causa das linhas de trem), é comum ver grandes shows na cidade logo na sequência. Este ano, foi o caso do Sigur Rós, que fez dois shows na cidade nos dias seguintes ao término do Fuji Rock. Dois dias depois, foi a vez dos japoneses do Toe e D.A.N esgotarem os ingressos pra festa de aniversário do Liquidroom. Espaço com capacidade pra mil pessoas, o Liquidroom recebe nomes mundiais em ascensão e bandas de médio porte em suas turnês japonesas. Bandas que são enormes hoje em dia tocaram lá quando começaram a despontar no cenário musical: Beck e Blur (1994), Radiohead (1995), Foo Fighters (1998, que nessa época já era uma banda relativamente grande mas antes de explodir mundialmente com o There is Nothing Left to Lose, de 1999), Coldplay (2002) e outros (puxando pro nosso lado, o Cansei de Ser Sexy tocou lá em 2008). Som e luz são incríveis, a área da plateia tem uma inclinação que permite que você veja facilmente o palco de qualquer ponto e no andar superior (sem acesso ao show) há um café e um grande lounge. Fomos convidados pelos caras do Toe pra assistir a esses shows e isso resultou em uma cena que demonstra a educação dos japoneses: a plateia fica em pé, mas a banda colocou duas cadeiras reservadas pra gente perto da mesa de som, no meio do público. Mesmo com a casa lotada, ingressos esgotados, ninguém se sentou ali e quando informamos que estavam reservados pra nós, ninguém questionou. Outro ponto bastante diferente é que fotos são proibidas nos shows (isso se repete na maioria dos locais maiores em que vi shows no Japão), por uma questão de educação: para evitar que os celulares levantados tampem a visão de quem está atrás querendo ver o palco.

O D.A.N tem apenas três anos de existência e tem crescido bastante no Japão. Originalmente um trio mas um quarteto ao vivo e em algumas gravações, é uma banda de rock alternativo dançante influenciada por math rock. Lembra Foals, mas com composições mais complexas. Show bastante fiel aos discos e que encaixou perfeitamente como abertura para o Toe. Banda de math/post-rck mais conhecida do Japão, fizeram um show irrepreensível. Muito mais enérgico e pesado ao vivo do que em disco, é um show de muita dinâmica e variações, com o acréscimo de um quinto integrante em algumas músicas. Repertório bem dividido, com três músicas de cada disco, exceto do Songs, Ideas, We Forgot, do qual não tocaram nada. O set teve "Goodbye", "After image" e "Esoteric" do For Long Tomorrow, "C" e "Past and language" do The Book About My Idle Plot On A Vague Anxiety, "Run for word" e The Future is now" do EP The Future is Now, "My little wish", "Song silly" e "Because I hear you" do Hear You e "1/21", do EP New Sentimentality. Facilmente, um dos melhores shows que já vi.



Na mesma semana o Guitar Wolf, outro ícone do rock underground japonês, tocou no festival Meteo Night, junto de mais de 10 bandas. A brasileira Carla Boregas, baixista do internacional Rakta, também se apresentou na cidade no período, em um evento de música eletrônica experimental. Na semana seguinte, outro festival reuniria "apenas" Mogwai, St Vincent, Cigarettes After Sex, Ride, Beak>> (dos melhores shows que vi ano passado) e Blanck Mass (projeto de um dos caras do Fuck Buttons). Apesar da grande oferta de atrações e da qualidade dos espaços de shows (até os lugares mais improvisados e pequenos têm equipamentos de som e luz sensacionais), o bolso também pesa. O ingresso pra cada dia de Fuji Rock custava o equivalente a R$ 600 e a média de ingresso pros shows alternativos variava (nesse período) entre  R$ 70 e R$ 100.

31 de agosto de 2017

FELA. Esta vida puta

Sem muito alarde, em 2017 completaram-se 20 anos da morte de Fela Kuti, um dos músicos africanos de maior reconhecimento mundial e criador do termo afrobeat (além de ser seu maior expoente). Após um show da Juçara Marçal com o Cadu Tenório em BH, na Sian - Semana Idea de Artes Negras, me deparei com este FELA. Esta vida puta (Fela, Fela: This bitch of a life) à venda. Lançado originalmente em 1982 e publicado no Brasil pela editora Nandyala em 2011, o livro é resultado de horas de entrevistas do escritor e cientista político cubano Carlos Moore (que vive no Brasil há quase 20 anos) com Fela e pessoas ligadas a ele.

O foco do livro é a vida pessoal de Fela e sua atuação política, com abordagem superficial de sua música - o que de forma alguma torna os relatos, narrados na primeira pessoa, menos interessantes. Incrível como Fela ainda não tenha sido objeto de uma cinebiografia de grande porte (apesar de o livro ter inspirado um musical da Broadway produzido por Jay Z, Will e Jada Pinkett Smith e um documentário). Ele misturou o highlife ganês ao jazz para criar um dos estilos de música mais disseminados no mundo; vivia em uma comuna com dezenas de pessoas que constituíam o que chamavam de República de Kalakuta (que foi invadida pelos militares várias vezes, com relatos terríveis de violência física e sexual por parte dos soldados); chegou a ocupar um prédio inteiro de sua gravadora, com os integrantes de sua organização, quando ela o devia dinheiro; quis ser presidente da Nigéria; foi preso diversas vezes (no geral, por porte de maconha), somando cerca de três anos na cadeia; tinha uma boate chamada Shrine (santuário), onde realizava não só shows mas também cultos; ganhou milhões de dólares e morreu pobre...

A imagem construída no livro é a de uma figura contraditória, às vezes execrável e, outras, exemplo de conduta social e política em busca de uma sociedade mais igualitária. Seus embates com os muitos governos militares que tomaram o poder na Nigéria entre as décadas de 1960 e 1990 (foram sete Golpes de Estado no período) e a luta pela valorização da cultura negra e o pan-africanismo são destacados, mas seus erros e falhas de caráter são parte essencial dos relatos. Casado com 27 mulheres (todas de famílias poligâmicas africanas, exceto uma), praticamente todas relataram casos em que Fela as bateu. Ele acreditava que as mulheres eram inferiores aos homens e dizia que a homosexualidade era "contra a natureza". Sua explicação para a homosexualidade chega a ser engraçada de tão absurda: "Acho que é causado pela comida que eles comem, a alimentação deles. Muita comida industrializada e pouca comida natural. Poluição, religião e alimentação. Essas, eu acredito, são as causas da homosexualidade".

Apesar de ter dois irmãos médicos, Fela era ignorante em relação a certas questões (hoje, básicas) a ponto de não acreditar na Aids e ser contra o uso de preservativos, chegando a fazer uma música sobre isso (ele dizia que preservativos eram mais uma invenção do homem branco ocidental para diminuir a população africana).

Antes de se tornar cada vez mais místico e se perder em teorias de conspirações envolvendo espíritos, Fela representou a anticelebridade politizada que realmente vivia de acordo com as causas que defendia. Como Moore apresenta na introdução, Fela Kuti era um artista político idealista que não se rendeu à indústria cultural:
"Na economia de mercado global dos dias de hoje, em que o excesso de bens materiais e o status social são hiper valorizados, seu inconformismo autêntico contrastava, radicalmente, com a imagem do artista pop contemporâneo. Na verdade, ele poderia facilmente ter feito fortuna, vivendo e criando no exterior e desfrutando da adulação de um crescente exército de fãs no mundo inteiro. No entanto, ele recusou o exílio. 'Ninguém me obrigará a sair deste país', ele avisou. 'Se ele não é digno de se viver, então é nosso dever torná-lo digno'".

Em abril de 1997, o governo do General Sani Abacha, que havia tomado o poder três anos antes em mais um Golpe de Estado, ordenou nova invasão da casa de Fela e sua prisão por porte de maconha, condenando-o a 10 anos de prisão (o real motivo da prisão teria sido as críticas feitas por Fela ao governo, que ele acusava de ser corrupto e injusto). Solto sob fiança em julho do mesmo ano, Fela morreria um mês depois de voltar pra casa. No ano seguinte, o general Abacha morreria após um ataque cardíaco e foi descoberto que mantinha mais de 4 bilhões de dólares no exterior.

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Trecho:
"Se eu quero deixar uma marca no mundo? Não. De jeito nenhum. Sabe o que eu quero? Eu quero que o mundo mude. Eu não quero ser lembrado. Eu só quero fazer minha parte e ir embora. Se lembrar faz parte do lance do mundo, isso é problema deles. Eu vou fazer minha parte. Eu tenho que fazer minha parte. E todo mundo tem que fazer a sua. Não pelo que você vai ser lembrado, mas pelo que você acredita como ser humano É pra isso que todo mundo devia vir ao mundo.  Se você quer fazer as coisas porque quer ser lembrado, você só tá fazendo por motivos pessoais. Faça as coisas simplesmente porque você acredita nelas. Um ser humano devia ser assim.

(Fiquei tentado a colocar um trecho sobre a época em que ele acreditava que espíritos estavam incorporando em suas esposas e que uma delas fosse espiã da CIA, mas, no fim, preferi dar espaço pra um momento mais otimista)